quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Pelo sonho é que vamos...



Pois é amigos... pelo sonho é que vamos. Aqui vos deixo esta pequena poesia de Sebastião da Gama como forma de vos desejar um Bom 2009!...


Pelo Sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo Sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma dêmos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia-a-dia.
Chegamos? Não chegamos?
-Partimos. Vamos. Somos
Pelo Sonho é que Vamos ...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Caçando dois coelhos


Um estudante de artes marciais aproximou-se do seu mestre com uma questão:"Gostaria de aumentar meu conhecimento das artes marciais.


Em adição ao que aprendi com o senhor, eu gostaria de estudar com outro professor para poder aprender outro estilo.


"O que pensa de minha ideia?"


"O caçador que espreita dois coelhos ao mesmo tempo," respondeu o mestre, "corre o risco de não pegar nenhum."

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O Som do Silêncio


Certa vez, um budista foi às montanhas procurar um grande mestre, que segundo acreditava poderia lhe dizer a palavra definitiva sobre o sentido da Sabedoria. Após muitos dias de dura caminhada o encontrou em um belo templo à beira de um lindo vale."Mestre, vim até aqui para lhe pedir uma palavra sobre o sentido do Dharma. Por favor,
faça-me atravessar os Portões do Zen."
"Diga-me," replicou o sábio, "vindo para cá vós passastes pelo vale?"
"Sim.""Por acaso ouvistes o seu som?"
Um tanto incerto, o homem disse:
"Bem, ouvi o som do vento como um suave canto penetrando todo o vale."
O sábio respondeu:
"O local onde vós ouvistes o som do vale é onde começa o caminho que leva aos Portões do Zen. E este som é toda palavra que vós precisais ouvir sobre a Verdade."

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Pede-se experiência... de vida!...



Nota minha: Não sei se é ou não verdade mas... também não é isso que está em causa...
A redacção que se segue foi escrita por um candidato numa selecção de Pessoal na Volkswagen. A pessoa foi aceite e o seu texto está a fazer furor na Internet, pela sua criatividade e sensibilidade.

****************

Já fiz cócegas à minha irmã só para que deixasse de chorar, já me queimei a brincar com uma vela, já fiz um balão com a pastilha que se me colou na cara toda, já falei com o espelho, já fingi ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violinista, mago, caçador e trapezista; já me escondi atrás da cortina e deixei esquecidos os pés de fora; já estive sob o chuveiro até fazer chichi.
Já roubei um beijo, confundi os sentimentos, tomei um caminho errado e ainda sigo caminhando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela onde se cozinhou o creme, já me cortei ao barbear-me muito apressado e chorei ao escutar determinada música no autocarro.
Já tentei esquecer algumas pessoas e descobri que são as mais difíceis de esquecer.
Já subi às escondidas até ao terraço para agarrar estrelas, já subi a uma árvore para roubar fruta, já caí por uma escada.
Já fiz juramentos eternos, escrevi no muro da escola e chorei sozinho na casa de banho por algo que me aconteceu; já fugi de minha casa para sempre e voltei no instante seguinte.
Já corri para não deixar alguém a chorar, já fiquei só no meio de mil pessoas sentindo a falta de uma única.
Já vi o pôr-do-sol mudar do rosado ao alaranjado, já mergulhei na piscina e não quis sair mais, já tomei whisky até sentir os lábios dormentes, já olhei a cidade de cima e nem mesmo assim encontrei o meu lugar.
Já senti medo da escuridão, já tremi de nervos, já quase morri de amor e renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e senti medo de me levantar.
Já apostei a correr descalço pela rua, gritei de felicidade, roubei rosas num enorme jardim, já me apaixonei e pensei que era para sempre, mas era um 'para sempre' pela metade.
Já me deitei na relva até de madrugada e vi o sol substituir a lua; já chorei por ver amigos partir e depois descobri que chegaram outros novos e que a vida é um ir e vir permanente.
Foram tantas as coisas que fiz, tantos os momentos fotografados pela lente da emoção e guardados nesse baú chamado coração...
Agora, um questionário pergunta-me, grita-me desde o papel:
- Qual é a sua experiência?
Essa pergunta fez eco no meu cérebro. Experiência....
Experiência... Será que cultivar sorrisos é experiência?
Agora... agradar-me-ia perguntar a quem redigiu o questionário:
- Experiência?! Quem a tem, se a cada momento tudo se renova???

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Mais Devagar!...



Um jovem atravessou o Japão em busca da escola de um famoso praticante de artes marciais. Chegando ao dojo, foi recebido em audiência pelo Sensei.

- O que você quer de mim ? perguntou-lhe o mestre

- Quero ser seu aluno e tornar-me o melhor karateca do país. Quanto tempo preciso estudar ?

- Dez anos, pelo menos.

- Dez anos é muito tempo respondeu o rapaz . E se eu praticasse com o dobro da intensidade dos outros alunos ?

- Vinte anos.

- Vinte anos! E se eu praticar noite e dia, dedicando todo o meu esforço ?

- Trinta anos.

- Mas, eu lhe digo que vou dedicar-me em dobro, e o senhor me responde que a duração será maior ?

- A resposta é simples. Quando um olho está fixo aonde se quer chegar, só resta um para se encontrar o caminho.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

A janela e o espelho.


Um jovem muito rico foi ter com um rabi, e lhe pediu um conselho para orientar sua vida. Este o conduziu até a janela e perguntou-lhe: - O que vês através dos vidros?
- Vejo homens que vão e vêm, e um cego pedindo esmolas na rua. Então o rabi mostrou-lhe um grande espelho e novamente o interrogou:
- Olha neste espelho e diz-me agora o que vês.
- Vejo-me a mim mesmo.
- E já não vês os outros! Repara que a janela e o espelho são ambos feitos da mesma matéria-prima, o vidro; mas no espelho, porque há uma fina camada de prata colada a vidro, não vês nele mais do que a tua pessoa. Deves comparar te a estas duas espécies de vidro. Pobre, vias os outros e tinhas compaixão por eles. Coberto de prata - rico - vês apenas a ti mesmo.
Só vales alguma coisa, quando tiveres coragem de arrancar o revestimento de prata que tapa os olhos, para poderes de novo ver...


Votos de Bom fim-de-semana!...

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Sobre a conversa / diálogo.


Então um erudito disse, Fala-nos da Conversa.
E ele respondeu, dizendo:
Vós falais quando deixais de estar em paz com os vossos pensamentos, e quando já não conseguis lidar com a solidão do vosso coração, viveis com os lábios e o som é uma diversão e um passatempo.
E, em muita da vossa conversa, o pensamento fica amordaçado.
Pois o pensamento é um pássaro do espaço que numa gaiola de palavras pode abrir as asas mas não pode voar.
Há muitos de entre vós que procurais a conversa com medo de estardes sozinhos.
O silêncio da solidão revela aos vossos olhos os vossos eus despidos e eles querem escapar.
E há aqueles que falam, e sem conhecimento ou premeditação revelam uma verdade que nem eles próprios entendem.
E há aqueles que têm a verdade dentro de si, mas não a dizem por palavras.
E é no seio destes que o espírito habita em silêncio rítmico.
Quando encontrais o vosso amigo na rua ou no mercado, deixai que o vosso espírito conduza os vossos lábios e dirija a vossa língua.
Deixai que a voz dentro da vossa voz fale ao ouvido do seu ouvido, pois a sua alma guardará a verdade do vosso coração tal como se guarda o sabor do vinho.
Quando já se esqueceu a cor e já não temos a taça.

Khalil Gibran (Livro “O Profeta”)

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Sobre a Amizade


Um jovem disse, Fala-nos da Amizade.
E ele respondeu, dizendo:
O vosso amigo é a resposta às vossas necessidades.
Ele é o campo que cultivais com amor e colheis com gratidão.
E é o vosso apoio e o vosso abrigo.
Pois ides até ele com fome e procurai-lo para terdes paz.
Quando o vosso amigo fala livremente, vós não receais o "não", nem retendes o " não".
E quando ele está calado o vosso coração não deixa de ouvir o coração dele;
Pois na amizade, todos os pensamentos, todos os desejos, todas as esperanças nascem e são partilhadas sem palavras, com alegria.
Quando vos separais de um amigo não fiqueis em dor, pois aquilo que mais amais nele tornar-se-á mais claro com a sua ausência, tal como a montanha, para quem a escala, é mais nítida vista da planície.
E não deixeis que haja outro propósito na amizade que não o aprofundamento do espírito.
Pois o amor que só procura a revelação do seu próprio mistério, não é amor mas uma rede lançada que só apanha o que não é essencial.
E deixai que o que de melhor há em vós seja para o vosso amigo.
Já que ele tem de conhecer o refluxo da vossa maré, que conheça também o seu fluxo.
Pois para que serve o vosso amigo se só o procurais para matar o tempo?
Procurai-o também para viver.
Pois ele preencher-vos-à os desejos, mas não o vazio.
E na doçura da amizade que haja alegria e a partilha de prazeres.Pois é nas pequenas coisas que o coração encontra a frescura da sua manhã.
Khalil Gibran

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Essência


Na China, havia um monge Zen, chamado mestre Dori, que, por fazer zazen empoleirado num pinheiro pára-sol, fora alcunhado de mestre Ninho de Passarinho.Um poeta muito célebre, Sakuraten, foi visitá-lo e, ao vê-lo fazer zazen, disse-lhe:"Tomai cuidado, que isso é perigoso; podereis, um dia, cair do pinheiro!"
"De maneira nenhuma," respondeu mestre Dori.
"Vós é que correis perigo de um dia cair."
Sakuraten refletiu: "Com efeito, vivo dominado por paixão, é como brincar com o raio".
E perguntou ao mestre Zen:
"Qual é a verdadeira essência do budismo?"
Mestre Dori respondeu:
"Não façais nada violento, praticai somente aquilo que é justo e equilibrado."
"Mas até uma criança de três anos sabe disso!" exclamou o poeta.
"Sim, mas é uma coisa difícil de ser praticada até mesmo por um velho de oitenta anos..." completou o mestre.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Uma parábola de Buda


Buda desenvolveu muitos métodos tácticos para levar as pessoas a abandonarem os apegos das suas mentes discriminadas (que ele via como a fonte dos problemas). Explicou por que agia desta forma, através da parábola da casa em chamas:
Numa cidade de um determinado país, havia um grande ancião, cuja casa era enorme, mas só tinha uma porta estreita. Esta casa estava muito estragada e um dia, de repente, irrompeu um grande incêndio que rapidamente começou a se alastrar. Dentro da casa estavam muitas crianças, e o ancião começou a implorar para que saíssem. Mas todas estavam absortas nas suas brincadeiras
e, embora tudo levasse a crer que iriam morrer queimadas, elas não prestaram a menor atenção ao que o ancião dizia e não mostravam pressa de sair.
O ancião pensou um momento. Como era muito forte, poderia colocar todas dentro de um caixote e tirá-las rapidamente. Mas, depois, viu que, se o fizesse, algumas poderiam cair e se queimar. Por isso, resolveu alertá-las sobre os horrores do incêndio, para que saíssem por sua livre e espontânea vontade.
Aos gritos, pediu que fugissem imediatamente, porém as crianças deram uma olhada e não tomaram conhecimento.
O grande ancião lembrou-se que todas as crianças queriam carroças de brinquedo e, assim, chamou-as dizendo que viessem depressa ver as carroças de bodes, veados e bois que tinham chegado.
Ao ouvirem isto, as crianças finalmente prestaram atenção e caíram umas sobre as outras, na ânsia de saírem, fugindo, desta maneira, da casa em chamas. O ancião ficou aliviado por terem escapado ilesas do perigo, e, quando elas começaram a perguntar pelas carroças, deu a cada uma não aquelas simples que elas queriam, porém carroças magnificamente decoradas com objectos preciosos, puxadas por grandes novilhos brancos.
O simbolismo desta estória talvez esteja bastante óbvio. O ancião é Buda, a casa em chamas é a natureza da existência que Buda chamou de ‘Duka’ (isto é, incapaz de dar uma satisfação duradoura, porque, em todos os aspectos, é inconsistente e transitória). As crianças são a humanidade e suas brincadeiras representam as diversões mundanas com as quais estamos tão ocupados que, muito embora estejamos vagamente conscientes da vida e do verdadeiro Self, não prestamos atenção para isto. As carroças de bode, veado e boi são os métodos de ensino temporários, na realidade o ‘chamariz’ através do qual Buda pode nos fazer escutar e começar a praticar o Dharma, e as carroças magníficas, puxadas por grandes novilhos brancos, representam a própria Iluminação, para a qual Buda só nos conduzirá se tiver nossa cooperação e entrega.

domingo, 9 de novembro de 2008

Obrigado!...


Recebi de "Dois Olhinhos" este prémio que guardo com muito carinho.

Obrigado!

Irei depois distribui-lo pelos "blogs" que a seu tempo nomearei...


António Serra

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

O Paraíso


Duas pessoas estavam perdidas no deserto. Elas estavam morrendo de inanição e sede. Finalmente, eles avistaram um alto muro. Do outro lado eles podiam ouvir o som de quedas d'água e pássaros cantando. Acima eles podiam ver os galhos de uma árvore frutífera atravessando e pendendo sobre o muro. Seus frutos pareciam deliciosos.
Um dos homens subiu o muro e desapareceu no outro lado.
O outro, em vez disso, saciou sua fome com as frutas que sobressaíam da árvore ali mesmo, e retornou ao deserto para ajudar outros perdidos a encontrar o caminho para o oásis.
Namasté!...

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Para quê palavras?

Um monge aproximou-se de seu mestre - que se encontrava em meditação no pátio do Templo à luz da lua - com uma grande dúvida:
"Mestre, aprendi que confiar nas palavras é ilusório; e diante das palavras, o verdadeiro sentido surge através do silêncio. Mas vejo que os Sutras e as recitações são feitas de palavras; que o ensinamento é transmitido pela voz. Se o Dharma está além dos termos, porque os termos são usados para defini-lo?"
O velho sábio respondeu:" As palavras são como um dedo apontando para a Lua;
Cuida de saber olhar para a Lua, não se preocupe com o dedo que a aponta."O monge replicou: "Mas eu não poderia olhar a Lua, sem precisar que algum dedo alheio a indique?"
"Poderia," confirmou o mestre, "e assim tu o farás, pois ninguém mais pode olhar a lua por ti. As palavras são como bolhas de sabão: frágeis e inconsistentes, desaparecem quando em contacto prolongado com o ar. A Lua está e sempre esteve à vista. O Dharma é eterno e completamente revelado. As palavras não podem revelar o que já está revelado desde o Primeiro Princípio."
"Então," o monge perguntou," por que os homens precisam que lhes seja revelado o que já é de seu conhecimento?"
"Porque," completou o sábio, "da mesma forma que ver a Lua todas as noites faz com que os homens se esqueçam dela pelo simples costume de aceitar sua existência como facto consumado, assim também os homens não confiam na Verdade já revelada pelo simples facto dela se manifestar em todas as coisas, sem distinção. Desta forma, as palavras são um subterfúgio, um adorno para embelezar e atrair nossa atenção. E como qualquer adorno, pode ser valorizado mais do que é necessário."O mestre ficou em silêncio durante muito tempo. Então, de súbito, simplesmente apontou para a lua.

Mais um pequeno conto na "senda" dos anteriormente apresentados.

Espero que gostem!...

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Quando cansado...


Um estudante perguntou a Joshu:
- "Mestre, o que é o Satori?"
O Mestre replicou:
- "Quando estiver com fome, coma. Quando estiver cansado, durma."

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Destruindo e reconstruindo.


Sou convidado a ir a Guncan-Gima, onde existe um templo zen-budista. Quando chego lá, fico surpreso: a belíssima estrutura está situada no meio de uma imensa floresta, mas com um gigantesco terreno baldio ao lado. Pergunto a razão daquele terreno, e o encarregado explica:

-É o local da próxima construção. A cada vinte anos, destruímos este templo que você está vendo, e o reconstruímos ao lado. “Desta maneira, os monges carpinteiros, pedreiros e arquitetos, tem possibilidade de estar sempre exercendo suas habilidades, e ensiná-las - na prática - aos seus aprendizes.

Mostramos também que nada na vida é eterno - e até mesmo os templos estão num processo de constante aperfeiçoamento.”


Lição de vida... não é mesmo?

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Conservar o espírito de criança.


“O estudo, a busca da verdade e da beleza são domínios em que nos é consentido sermos crianças por toda a vida”
(Albert Einstein)

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Com três homens, o tigre aparece.


Este provérbio significa que a constante repetição de uma versão deturpada ou de uma mentira acaba por nos levar a acreditar nelas. É também usado para advertir que se deve investigar cada caso, em vez de dar crédito a boatos.
Durante o período dos Reinos Combatentes, os reis signatários de um acordo costumavam manter os príncipes como reféns, como garantia de que ambas as partes observariam fielmente o que fora consignado no documento.
Certa vez, os reinos Wei e Zhao assinaram um acordo de paz. Segundo o estipulado, o rei do Wei devia mandar o príncipe seu filho para Hangdan, capital do reino Zhao, e designou o ministro Pang Cong para o acompanhar.
O ministro ficou inquieto, pois o rei acreditava facilmente em boatos e mentiras. Assim que se afastasse da capital, certamente muitos adversários se apressariam a inventar calúnias contra ele.
Antes da partida, o ministro perguntou ao rei:
-- Se um homem disser que há um tigre na rua, Vossa Majestade acredita?
O rei abanou a cabeça:
-- Não, não acredito.
O ministro voltou então a perguntar:
-- E se um segundo homem disser que há um tigre na rua, Vossa Majestade acredita?
-- Ficarei hesitante – disse o rei.
E o ministro perguntou uma terceira vez:
-- E se um terceiro homem repetir que há um tigre na rua, que fará Vossa Majestade?
-- Já que todos dizem a mesma coisa, não poderei deixar de acreditar – respondeu o rei.
Emocionado, o ministro Pang Cong disse então:
-- Os tigres vivem nas montanhas e não chegam às ruas das cidades, todos o sabem. Mas como três homens dizem a mesma coisa, a mentira torna-se verdade. A distância entre as capitais dos reinos Wei e Zhao é bem maior que entre o palácio e a rua ... Receio que não faltem aqui más-línguas contra a minha pessoa, e espero que Vossa Majestade cuide de investigar da veracidade desses comentários.
Podes ir tranquilo, pois fá-lo-ei – concordou o rei.
Tal como Pang Cong previa, sucederam-se calúnias e mais calúnias contra ele. Estas chegaram aos ouvidos do rei, que acabou por acreditar nelas.
Terminado o prazo estabelecido, Pang Cong, acompanhado do príncipe, regressou ao reino Wei, mas o rei não mais quis saber dele.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

O Espírito do Tai Chi.


A Shaolin monk performs Tai-chi exercises during a technical rehearsal for their show at the Mediterranean Conference Centre in Valletta May 16, 2008.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Raposa com prestígio de tigre


Quando uma pessoa, aproveitando-se do poder alheio, trata os outros com arrogância ou os ofende, é censurada por meio do provérbio Raposa com prestígio de tigre.
O provérbio vem de um conto.
Uma vez, uma raposa caiu nas garras dum tigre; mas, espertíssima como era, disse-lhe com toda a tranqüilidade:
-- O senhor Tigre deve certamente estar ciente de que Deus acaba de me nomear rainha desta floresta, com a missão de governar todos os animais ... E quer o senhor comer-me?! Que ousadia! Quer desrespeitar o Todo-Poderoso?
O tigre não acreditou nessa conversa. Como é que animalzinho tão fraco e tão magro como a raposa poderia ser a rainha da floresta?
Percebendo a hesitação do tigre, disse então a raposa:
-- Não acredita? Mas a ignorância não é crime, por isso não vou puni-lo. Esta sua rainha sempre se fez respeitar pela sua generosidade. Vamos fazer o seguinte: vou passar revista aos meus súditos, e o senhor vai seguir-me e observar como eles me temem.
O tigre aceitou a proposta, e lá foram os dois – a raposa à frente, todo arrogante, e o tigre atrás.
Vendo o tigre, os outros animais puseram-se em fuga, foi um “salve-se quem puder”.
Mas o tigre acreditou no poder da raposa, pensando que todos fugiam com medo da “rainha”.
Dessa maneira, conseguiu a raposa salvar-se da morte às garras do tigre.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Ai que prazer... reler Fernando Pessoa

"Liberdade"

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Nunca é demais chamar à atenção.


Temos 159 espécies em risco de extinção

“Fazem companhia ao lince ibérico mais 11 mamíferos, 38 espécies de peixes e caracóis da Madeira e Açores.
Em Portugal existem 159 espécies em risco de extinção, entre as quais o lince ibérico e caracóis da Madeira e dos Açores, segundo a Lista Vermelha divulgada ontem pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
Na edição de 2008 da Lista Vermelha das espécies ameaçadas, Portugal aparece com 159 espécies em risco de extinção. A maior parte refere-se a 67 espécies de caracóis da Madeira e dos Açores. A seguir vêm 38 espécies de peixes e um total de 11 mamíferos, entre eles o lince ibérico.
Em artigo a publicar esta semana na revista Science, os especialistas internacionais sublinham que 188 mamíferos estão integrados na categoria de ameaça máxima, em “perigo crítico de extinção”, incluindo o lince ibérico, cuja população “é de apenas 84 a 143 adultos”.
O “declínio contínuo da população” de linces, considerado actualmente o felídeo mais ameaçado da Europa, deve-se, segundo a UICN, à “escassez da sua principal presa, o coelho europeu”.
O mesmo estudo adianta que metade das espécies de mamíferos em todo o Mundo está em declínio e uma em cada três encontra-se ameaçada de extinção.
De acordo com a Lista Vermelha da UICN, há 1141 mamíferos em risco de extinção, o que equivale a cerca de 21 por cento das 5487 espécies conhecidas.
Realizado por mais de 1800 cientistas de mais de 130 países, o documento lembra que “centenas de espécies podem desaparecer” nos próximos anos devido ao impacto do Homem nos ecossistemas destes animais.”

In: Jornal “Global” de 7 de Outubro de 2008

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Pauzinhos


"Um velho e sábio mandarim teve um dia o privilégio de visitar o outro mundo.
Visitou primeiro o Inferno.
Por mais estranho que pareça, era um lugar lindíssimo, cheio de jardins, de aves raras, de lagos azulados e montanhas rosadas, cujos cimos brilhavam ao sol.No centro desse lugar, conduziram-no a um palácio maravilhoso, onde, numa esplêndida sala de jantar, eram servidas às pessoas as mais deliciosas iguarias confeccionadas com arroz.
No entanto, toda a gente tinha um ar famélico e infeliz.
E o velho mandarim compreendeu porquê, quando reparou que para se servirem lhes tinham distribuído pauzinhos com dois metros de comprimento, com os quais lhes era obviamente impossível levar a comida à boca.
Angustiado com este espectáculo, pediu que o conduzissem depressa ao Céu.
Aí, surpreendido, verificou que a paisagem era idêntica à do Inferno.
E num palácio em tudo semelhante ao primeiro, encontrou o mesmo banquete,
preparado com as mesmas iguarias.
Apenas no rosto das pessoas via uma expressão tranquila, saciada e feliz, que admirava tanto mais quanto os via empunhar os mesmos pauzinhos com dois metros de comprido.
Observando melhor, notou então que cada pessoa, com os seus pauzinhos, dava de comer à que se sentava de fronte."

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O meu novo "blog".


Para o caso de ainda não terem reparado... está no "ar" mais um blog de minha autoria. É um espaço mais "generalista". O endereço aqui fica:




Apareçam!...

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

O Cego e o Sol.


Era uma vez um cego de nascença. Nunca tinha visto o sol e perguntava como ele era para as pessoas. Alguém lhe disse: “é como uma bandeja de latão”, e quando o cego, um dia, deu com uma bandeja pendurada, ouviu o som de metal e guardou-lhe como recordação do sol. Um dia, porém, tocaram sinos de bronze e o cego pensou que era o sol. Até que alguém lhe disse: “a luz do sol, na verdade, é como uma vela”. Um dia, o cego apalpou a vela e pensou que esta era a forma do sol. Assim, um dia encontrou um pedaço de bambu no chão e pensou tratar-se do sol. O Sol é muito diferente do sino ou do bambu, mas o cego não pode ver isso porque nunca viu o sol. O Tao é mais difícil de ver do que o sol, e por isso os homens são com o cego. Ainda que vocês façam comparações, exemplos e tratados, o Tao será como o sol para o cego, parecido com uma bandeja, com um sino ou um bambu. Sempre imaginaremos uma coisa, esquecendo de outra. Assim, os homens se afastam cada vez mais da verdade, dando lhe aparências através de nomes. Todos estes enganos são tentativas de compreender o Tao.


Su Tungp’o

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Fala-nos do conhecimento...


Então, um homem disse-lhe:

Fala-nos do conhecimento de si. E ele respondeu:
Os vossos corações conhecem, no silêncio,os segredos dos dias e das noites.
Mas os vossos ouvidos têm sede de ouvir finalmenteo eco do saber dos vossos corações.
Gostaríeis de saber pelo verboo que sempre soubeste pelo pensamento.
Gostaríeis de sentir com os dedoso corpo nu dos vossos sonhos.
E está certo que assim o queirais.
A fonte oculta da vossa alma deve necessariamente
jorrar e correr a murmurar para o mar;e o tesouro das vossas profundezas infinitas
revelar-se aos vossos olhos.
Mas que não haja balança
que pese o vosso tesouro desconhecido;
e não procureis explorar os abismos do vosso saber
com a vara ou com a sonda,
pois o eu é um mar sem limites e sem medida.
Não digais: "Encontrei a verdade",
mas antes: "Encontrei uma verdade."
Não digais: "Encontrei o caminho da alma."
Mas antes: "Cruzei-me com a alma que seguia pelo meu caminho.
"Pois a alma percorre todos os caminhos.
A alma não caminha sobre uma linha
nem se alonga como uma vara.
A alma abre-se a si própria
como se abre um lótus de inúmeras pétalas.


Khalil Gibran (do livro "O Profeta")

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Árvores "nossas confidentes"...


"Vivam Apenas"

Vivam, apenas
Sejam bons como o sol.
Livres como o vento.
Naturais como as fontes.

Imitem as árvores dos caminhos
que dão flores e frutossem complicações.

Mas não queiram convencer os cardos
e transformar os espinhosem rosas e canções.

E principalmente não pensem na morte.
Não sofram por causa dos cadáveres
que só são belos
quando se desenham na terra em flores.
Vivam, apenas.
A morte é para os mortos!

José Gomes Ferreira

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Chuva na nossa aldeia.

Aqui vos deixo um pequeno conto como forma de vos desejar... um Bom fim de semana!...
"Era uma vez uma vila, onde certo ano não choveu durante meses seguidos. Os habitantes assustados com as consequências que a seca traria para as suas colheitas, caso continuasse, decidiram procurar o auxílio de um sábio de uma aldeia vizinha onde a chuva não tinha cessado.
O sábio viajou até à aldeia e as pessoas logo o observaram, esperando toda a espécie de artifícios e fazeres misteriosos que produzissem algum milagre. Mas ele nada, simplesmente pediu que o deixassem ficar sozinho numa casa afastada da aldeia, o suficiente para poder estar à vontade sem ser perturbado.
Concederam-lhe imediatamente o seu pedido. E durante alguns dias ninguém teve sinais do sábio. Então certo dia começou a chover, e as pessoas saíram para as ruas felizes e contentes. As suas colheitas estavam salvas! Também o sábio apareceu, e perguntaram-lhe o que fizera, ao que ele respondeu: Nada. Muito espantados os aldeões replicaram: como assim? Alguma coisa terá feito para produzir chuva com tanta abundância. Ao que o sábio respondeu: simplesmente descansei e recuperei do cansaço da viagem e então meditei por alguns dias. Foi o Tao que se encarregou de trazer a harmonia da minha para a vossa aldeia.”

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Os principios fundamentais.


As frases que se seguem exprimem com exactidão as bases do Tai Chi:

"A força e a dureza combatidas através da fragilidade e da suavidade".

"Repelir o ímpeto de uma tonelada com um grama".

"Cada passo tão lânguido como os movimentos de um gato".

Simples... não?

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A Libertação do Eu


De entre os vícios que tenho o da leitura ocupa um lugar de destaque. Chego a ter 3 livros que leio simultaneamente. Este trecho com que vos “presenteio” é tirado de um deles. Espero que gostem!...


“Para libertarem a mente de todo o condicionamento, devem ver a sua totalidade sem o pensamento. Não se trata de um enigma; experimentem-no e verão. Alguma vez vêem alguma coisa sem o pensamento? Já alguma vez escutaram, olharam, sem fazerem entrar em cena todo o processo de reacção? Dirão que é impossível ver sem o pensamento; dirão que nenhuma mente pode estar descondicionada. Ao dizerem isto, já se bloquearam a vós mesmos através do pensamento, porque a verdade é que vocês não sabem.
Portanto, poderei olhar, poderá a mente estar consciente do seu condicionamento? Penso que sim. Por favor, experimentem. Conseguem estar conscientes de que são hindus, socialistas, comunistas, isto ou aquilo, estar apenas conscientes sem dizerem que tal é certo ou errado? Como é uma tarefa de tal forma difícil, a tarefa de ver apenas, dizemos que é impossível. Digo-vos que é somente quando vocês estão conscientes desta totalidade do vosso ser, sem que haja qualquer reacção, que o condicionamento desaparece, total e profundamente – o que é verdadeiramente a libertação do eu.”

Autor: Jiddu Krishnamurti
Livro: “A Vida” (página 162)
Editora: Editorial Presença
Biografia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jiddu_Krishnamurti

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Turista de Uma Vida.


Conta-se que no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo, no Egipto, com o objectivo de visitar um famoso sábio.
O turista ficou surpreso ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros.
As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco.
- "Onde estão seus móveis?" - perguntou o turista.
E o sábio, bem depressa, perguntou também:
- "E onde estão os seus...?"
- "Os meus?!" - surpreendeu-se o turista
- "Mas eu estou aqui só de passagem!"
- "Eu também..." - concluiu o sábio.


Autor Desconhecido

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

O Pesquisador de Religiões


Certa feita, um jovem abastado, tendo se formado na Universidade de Filosofia e mal se contendo para pôr em prática os conhecimentos exaustivamente apreendidos em classe, dispôs-se em viagem para conhecer em meio aos diferentes povos do mundo o verdadeiro significado de religião.
Passou anos colhendo informações, analisando e pesquisando, descobriu maravilhas mas também se decepcionou várias vezes, contudo nunca se dava por satisfeito.
E foi assim dessa forma, meio frustrado com o desfecho de seu trabalho, que resolveu, enfim, retornar para casa.
No caminho de volta, em seu carro particular, ia contemplando a paisagem rural interior quando avistou no meio de um milheiral um velho agricultor que realizava a colheita de sua plantação. Teve, então, a ideia de realizar uma última entrevista, visando levantar a noção do homem simples do campo a respeito da religião.
Aproximou-se daquele homem e lhe indagou qual o seu entendimento sobre religião, e obteve a seguinte resposta:
- Óia, seu moço – principiou o velho lavrador – pra mim, religião é igual quiném a coieita do miio aqui da roça, num sabe...
- Como a colheita do milho? – um tanto atónito com a comparação, o jovem pesquisador pediu para que se explicasse melhor o senhor.
- Pois veje só: nóis que veve aqui na roça, prepara a terra, escói a semente, pranta o miio, aduba e cuida da prantação até a hora da coieita… asdispois que nóis cói o miio, nóis tem que leva ele té lá a cidade pra mó de vendê ele por lá… pra chegá lá nóis pode í por treis caminho: tem o caminho da estrada de chão, tem o caminho do açude no meio do pasto, e tem o caminho da estrada de asfarto… mas daí quando nóis chega lá na cidade e vai vendê o miio pros varejista eles num vão pregunta pra nóis por que caminho que nóis veio... eles vão querê sabê é se o miio é bão!


Autor desconhecido

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Back again!...


Faz hoje um mês que vos deixei uma mensagem de férias. Regressei ao v/ convívio para "recomeçar" mais um ano de "coisas boas" que a vida tem... entre as quais a v/ AMIZADE!...


PS - Uma foto que tirei na China... ao pé do Bombarral.


Um abraço deste "vosso",


António Serra

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Férias.


Não imaginam quantas vezes comecei a escrever este texto. Tanta “coisa” para vos dizer... para vos desejar... para partilhar convosco. Sinceramente não sabia como iniciar. Então lembrei-me de colocar os “auscultadores” e ao sabor da música deixar correr os meus dedos pelo teclado do computador que tenho em frente. Os pensamentos “fluíram” e deles “brotou” este bocado de mim para vós...
Queria poder, individualmente, me despedir de vós para vos desejar umas boas férias... um bom descanso. Que tudo possa “correr” à medida do que “pediram” para vós e para os vossos.
Já sabemos que nem tudo vai ser assim porque... não é assim que é natural. Ou seja... lembram-se do conceito de “Yin Yang”. Tudo na vida é complementar. A noite é o complemento do dia... o homem da mulher... o alto e o baixo... o bem do mal. No fundo a dualidade é o princípio geral da vida...
Lao Tsé no seu livro “Tao Te Ching” indica-nos a forma de lidarmos com essa “dualidade” e dela tirarmos proveito :


XXIII O VAZIO ABSOLUTO
Falar pouco é ser natural. É a marca dos que obedecem a espontaneidade de sua natureza. Um violento furacão não pode durar para sempre, como poderá o homem consegui-lo?
Essa é a razão pela qual o homem segue o Caminho. Um homem no caminho adapta-se ao Caminho. Um homem na virtude adapta-se à Virtude. Um homem que perde alguma coisa conforma-se à Perda. Aquele que se conforma com o Caminho é alegremente aceito por ele. Aquele que é virtuoso é aceite pela virtude. Aquele que se conforma com a perda é aceite pela Perda.
Quando não existe bastante fé, há falta da verdadeira Fé.


Aproveitem cada momento... cada manhã... cada dia. Vivam-no com todo o vosso “SER”. Dêem lugar, em cada dia que passa, a um momento de meditação. Podem ser cinco minutos... meia-hora... uma hora. Não importa a quantidade... importa a qualidade...
“Meditação é aventura, a maior aventura que a mente humana pode empreender. Meditação é simplesmente ser, sem fazer nada - nenhuma acção, nenhum pensamento, nenhuma emoção. Você apenas é, e é puro prazer. De onde vem esse profundo prazer, quando você não está fazendo nada? Não vem de lugar nenhum, ou vem de toda parte. Ele é não-motivado, porque a existência é feita de uma matéria chamada alegria.” (in: http://www.cuidardoser.com.br/o-que-e-meditar.htm)
“A meditação nos prepara internamente para manter uma mente de felicidade diante de qualquer obstáculo, até mesmo na doença. Conservar o desejo sempre ardente e valorizar o momento são algumas das dicas que a monja dá às pessoas que almejam incorporar a prática em suas vidas” (monja Kelsang Pelsang, discípula e tradutora para o português dos livros de Geshe Kelsang Gyatso)

Os que já praticam “Chi Kung” e “Tai Chi Chuan”... boas práticas!...
Em Setembro estarei de volta. Até lá... tudo de “bom” para vós!
Do “Vosso”,
António Serra

segunda-feira, 28 de julho de 2008

O Bambu chinês.

Depois de plantada a semente deste incrível arbusto, não se vê nada, absolutamente nada, por 4 anos – excepto o lento desabrochar de um diminuto broto, a partir do bolbo.
Durante 4 anos, todo o crescimento é subterrâneo, numa maciça e fibrosa estrutura de raiz, que se estende vertical e horizontalmente pela terra.
Mas então, no quinto ano, o bambu chinês cresce, até atingir 24 metros”.
Covey escreveu: “Muitas coisas na vida (pessoal e profissional) são iguais ao bambu chinês.”
Você trabalha, investe tempo e esforço, faz tudo o que pode para nutrir seu crescimento, e as vezes não se vê nada por semanas, meses ou mesmo anos. Mas, se tiver paciência para continuar trabalhando e nutrindo, o “quinto ano” chegará e o crescimento e a mudança que se processam o deixarão espantado. O bambu chinês mostra que não podemos desistir fácil das coisas... Em nossos trabalhos, especialmente projectos que envolvem mudanças de comportamento, cultura e sensibilização para acções novas, devemos nos lembrar do bambu chinês para não desistirmos fácil frente às dificuldades que surgem e que são muitas...

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Imagine...




Imagine que não existe paraíso
É fácil se você tentar
Nenhum inferno abaixo de nós
E acima apenas o céu
Imagine todas as pessoas
Vivendo para o hoje
Imagine não existir países
Não é difícil de fazê-lo
Nada pelo que lutar ou morrer
E nenhuma religião também
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz
Talvez você diga que eu sou um sonhador
Mas não sou o único
Desejo que um dia você se junte a nós
E o mundo, então, será como um só
Imagine não existir posses
Surpreenderia-me se você conseguisse
Sem necessidades e fome
Uma irmandade humana
Imagine todas as pessoas
Compartilhando o mundo
Talvez você diga que eu sou um sonhador
Mas não sou o único
Desejo que um dia você se junte a nós
E o mundo, então, será como um só.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Desapego.


Um cidadão fez voto de desapego e pobreza. Dispôs de todos os seus bens e propriedades, reservou para si apenas duas tangas, e saiu Índia afora em busca de todos os sábios, medindo na verdade o desapego de cada um. Levava apenas uma tanga no corpo e outra para troca, sempre necessário.Estava convencido de não encontrar quem ganhasse de si em despojamento, quando soube de um velho guru, bem ao norte, aos pés do Himalaia. Tomando as direcções, parte ao encontro do velho sábio.Quando lá chegou, tristeza e decepção! Encontrou terras bem cuidadas, um palácio faustoso, muita riqueza, muita pompa. Indignado, procura pelo guru. Um velho servo lhe diz que ele está em uma ala dos magníficos jardins com seus discípulos, estudando desapego. Como era costume da casa Ter gentileza para com os hóspedes, o servo convida o andarilho para o banho, repouso e refeição, antes de se dirigir à presença do sábio.Achando tudo muito estranho, o desapegado aceita a sugestão. Toma um bom banho, lava sua tanga usada, coloca-a para secar no quarto e sai em busca do guru. Completamente injuriado, queria contestar e desmascarar aquele que julgava um impostor, pois em sua concepção desapego não combinava com posses. Aproxima-se do grupo, que ouve embevecido as palavras do mestre e fica ruminando um ardil para atacar o guru, quando, correndo feito um doido, chega um dos serviçais gritando:- Mestre, mestre, o palácio está pegando fogo, um incêndio tomou conta de tudo. O senhor está perdendo uma fortuna! O sábio, impassível, continua sua prédica. O desapegado viajante das duas tangas dá um salto e sai em desabalada carreira, gritando:- Minha tanga, minha tanga, o fogo está destruindo minha tanga...
PS - Mais uma colaboração da amiga Teresa.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Mais devagar.


Um jovem atravessou o Japão em busca da escola de um famoso praticante de artes marciais. Chegando ao dojo, foi recebido em audiência pelo Sensei.
- O que você quer de mim? - Perguntou-lhe o mestre.
- Quero ser seu aluno e tornar-me o melhor karateca do país. Quanto tempo preciso estudar?
- Dez anos, pelo menos.
- Dez anos é muito tempo respondeu o rapaz. E se eu praticasse com o dobro da intensidade dos outros alunos?
- Vinte anos.
- Vinte anos! E se eu praticar noite e dia, dedicando todo o meu esforço?
- Trinta anos.
- Mas, eu lhe digo que vou dedicar-me em dobro, e o senhor me responde que a duração será maior?
- A resposta é simples. Quando um olho está fixo aonde se quer chegar, só resta um para se encontrar o caminho.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Souvenir of China.

China 1981. Concerto de Jean Michel Jarre. Momentos históricos. O "vinil" ainda o guardo "religiosamente".
Oiçam e vejam!... (o Tai Chi também lá está...)



quinta-feira, 17 de julho de 2008

O Palhaço.


CIRCO

No circo cheio de luz
Há tanto que ver!...
"Senhores!"

-Grita o palhaço da entrada,
Todo listrado de cores-
"Entrai, que não custa nada!
À saída é que se paga..."
..................................
O palhaço entrou em cena,
Ri, cabriola, rebola,
Pega fogo á multidão.

Ri, palhaço!

Corpo de borracha e aço
Rebola como uma bola,
Tem dentro não sei que mola
Que pincha, emperra, uiva, guincha,
Zune, faz rir!
José Régio, As Encruzilhadas de Deus
Porquê o palhaço? - perguntam vocês.
Simplesmente porque... eles me fazem rir. E na vida é tão importante rirmos...


quarta-feira, 16 de julho de 2008

Você aprende!...

É verdade... todos os dias nós aprendemos. Mas (também sabemos) que nem sempre aplicamos o que aprendemos... Endereço o meu obrigado à minha amiga Teresa que me enviou o "link" deste belo video para... nós nos relembrarmos.


segunda-feira, 14 de julho de 2008

Ecologia Corporal.


O artigo é um pouco extenso mas... vale a pena!...

1 - O modelo ecológico

Foram três séculos de império da razão sobre a humanidade. O homem dono do saber e proprietário da natureza, hoje convive com o resíduo de sua acção. A grande festa acabou, deixando como resultado o lixo, a degradação, a extinção do homem à natureza. Somos chamados a recolher os pedaços, no sentido científico ao ambiental (enquanto atitude, comportamento). Buscamos caminhos que devolvam ao homem a capacidade de “raciocinar” com o coração e sentir com o cérebro” (Weil, pág. 21, 1993). Um método de sensibilização, de despertar no homem todo seu potencial de relacionar-se com o mundo de maneira intensa, equilibrada, harmónica e prazerosa.
Precisamos “reprogramar” o homem condicionado a uma determinada forma de perceber o mundo, mudar esse “padrão” de descodificação das mensagens (informações) apresentadas pelo meio ambiente, e de sua forma de agir sobre o meio. Precisamos devolver-lhes a capacidade de sentir e perceber o mundo, o prazer de viver a vida de forma equilibrada, respeitadora dos limites que põem em risco a sua vida, todas as formas de vida.
O círculo vicioso, gerador do desequilíbrio corpo/mente/meio ambiente tem raízes seculares, sendo impossível que esse “desequilíbrio” ter sido gerado pela própria natureza. O homem desde os primórdios tem fome de saber e de poder, enquanto a natureza sempre permaneceu passiva diante das acções humanas. Porém, nunca derrotada. Subtil e sábia insistiu em sobreviver e se “acomodou” as novas situações. Refaz seu programa, estabeleceu novos padrões de comportamento. Conseguiu equilibrar-se, auto-regular-se.
Por que não nos espelhamos nessa capacidade, nesta aptidão para nos reorganizar-mos? Santin (1988), acredita que a vivência com as grandes harmonias da natureza podem servir de antídoto contra a desarmonia causada pela manipulação emocional (e intelectual).


Exercícios de exploração dos sentidos:
Csikszentmihalyi (1992), em sua teoria do “fluir”, sugere caminhos em busca de um estado de “felicidade” contida em cada minuto de nossa vida, se prestarmos mais atenção a tudo que nos acontece e assim melhorar nossa qualidade de vida - “...o caminho mais fácil para melhorar a qualidade de vida consiste simplesmente em aprender a controlar o corpo e seus sentidos”. O que nos remete a expressão usada por Siqueira & Ferraz (1987) - “afiar os sentidos” para poder perceber o belo, ter prazeres, satisfações...
Massagens: Podemos “afiar” nossos sentidos de muitas formas, brincando, como já vimos, ou através de massagens. Os diversos tipos e técnicas de massagens nos devolve o calor do contacto entre os corpos, o toque, oferecendo a consciência de seu próprio corpo, seus pontos de tenção, inibição e de prazer , desperta os
sentidos, distensiona, reequilibra, sensibiliza.
Jogos Cooperativos: Suas características vão de encontro aos “princípios ecológicos” a partir do momento em que tem como objectivos promover o auto-controle e valores humanos positivos. Para Orlick (1989), esses valores vão desde aprender a responsabilizar-se por si próprio e pelo bem estar dos outros, mudanças nas relações entre ganhar e perder, alterando as formas de ganhar , aprender a perder, controlar a ansiedade e técnicas de relaxamento. Orlick assegura que o mais importante “...é ajudar as pessoas a verem a si mesmas e os outros como seres humanos igualmente valiosos , tanto na vitória como na derrota”.
Artes marciais: As artes marciais vindas do oriente têm em comum o facto basearem-se nos princípios que marcam essa cultura. Uma delas é o Tai Chi Chuan. “caminho”. Os exercícios são inspirados nos movimentos
da natureza , e através deles o praticante mantém um contacto profundo consigo mesmo, estabelecendo a noção de equilíbrio e harmonização dos opostos.
Yoga: É um dos sistemas de filosofia da Índia, que valoriza a importância da saúde física, como primeiro passo para a saúde mental e espiritual. Seu objectivo é conseguir alcançar um estado mental que permita não ser perturbado pelas atribulações quotidianas, proporcionando assim um estado de “União”. Procura atingir os níveis mais elevados de saúde física e mental, sendo que o desenvolvimento individual é de profunda importância para a melhora dos desenvolvimento colectivo.
Dinâmicas de grupo: Para Fritzen (1995) “o homem é essencialmente um SER para os demais, um SER em relação, que depende dos demais. Disto, em geral, as pessoas têm muito pouco consciência, mas é algo que não se adquire, a não ser pela vivência”. Alguns exercícios procuram despertar nas pessoas o sentimento de solidariedade, adormecido pelo indivíduo e pelo egoísmo. Outros ainda buscam mais directamente uma colaboração efectiva, afastando a frieza, o indiferentismo, a agressividade, o desejo de dominação, o tratamento da pessoa como objecto”. O que equivale dizer, nas palavras de Weil (1990) que esses exercícios visam “sensibilizar” e despertar a consciência de que a fonte de destruição, violência e guerra encontra-se dentro de nós mesmos e que a Paz é responsabilidade de cada um”.
Danças: Através da dança podemos nos conhecer e movimentar o corpo e a mente, proporcionando uma maior percepção corporal. A união da música e da dança têm sido usada pelas mais diversas culturas do planeta através de séculos com objectivo de despertar a consciência, curar o corpo físico, além de ser o ponto marcante de celebrações especiais. Segundo seus mestres, tem como objectivo a integração do indivíduo ao grupo, o desenvolvimento da aceitação do ritmo individual, dentro de um ritmo grupal. O fato de serem realizadas de mão dadas, contribui para a harmonia do grupo, proporcionando um estado de alegria capaz de revitalizar os corpos físicos, emocional, mental e espiritualmente.


quinta-feira, 10 de julho de 2008

Saber e... Sabedoria.


Ao ler “Os Ensinamentos do Mestre e a Arte de Viver”, de Chao-Hsiu Chen, senti necessidade de “partilhar” convosco este trecho. Que ele tenha, pelo menos, a virtude de vos fazer reflectir... como me fez a mim.

Um abraço e um bem-haja para todos vós!...


- Mas há aqui tantos livros que ainda precisava de estudar – lamentou-se o jovem – Como é possível abandoná-los sem os ter lido?
O Mestre sorriu.
- E que aconteceria se os tivesses lido todos?
- Teria encontrado a sabedoria – respondeu o discípulo.
- Não confundas sabedoria com saber – advertiu o Mestre. – O saber podes encontrá-lo nos livros, mas a sabedoria só no teu coração. O saber sem sabedoria é como uma lâmpada que temos na mão, mas que não conseguimos acender. Pelo contrário a sabedoria sem saber é como uma chama que rapidamente se extingue, porque lhe falta o azeite necessário. Só quando possuímos as duas coisas, saber e sabedoria, é que a luz ilumina até a noite mais escura.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Segue o teu destino.


Segue o teu destino

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.


Ricardo Reis

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Principios gerais de Tai Chi.

Desta vez optei por um pequeno video que vos pode elucidar alguns dos principios básicos do Tai Chi.
Espero que gostem.
Um bom fim de semana em paz e harmonia!...

quinta-feira, 3 de julho de 2008

A Respiração no Taiji Quan (Tai Chi Chuan)


O oxigénio é um dos elementos básicos de toda a vida e como tal, essencial para todo o ser vivo. No Taiji Quan integra-se no movimento corporal outro movimento, o da respiração, que com ritmo regulado em estreita união com as posturas, cria uma acção global de todo o corpo. Esta combinação fomenta a descontracção muscular (sente-se principalmente nos ombros, cotovelos e cintura) e ao mesmo tempo fomenta um apaziguamento dos pensamentos, tranquilizando e descontraindo a mente.
Em vários estudos realizados especificamente sobre a respiração abdominal (aquela na que intervém o músculo diafragmático), destacou a sua eficácia como terapia profiláctica.
Um pesquisador, o professor de psicologia clínica Dr. Tadashi Nakamura, começou a demonstrar que a relação entre respiração e estados emocionais, é um facto claramente estabelecido. E depois de um estudo estatístico, é um facto que na maioria das pessoas, a função pulmonar chega ao ponto culminante por volta dos vinte anos, reduzindo-se esta a um nível de uma criança de nove anos, por volta dos sessenta.
No entanto, graças a um treino continuado em Taiji e ao uso de uma respiração profunda e harmoniosa, pode ser compensado este declive pulmonar, minimizando os efeitos do envelhecimento. O diafragma, acostumado à inactividade ou a uma actividade mínima, devido ao hábito generalizado de uma respiração clavicular ou alta, com a respiração abdominal começa a entrar em acção, dando como resultado uma estimulação do estômago, fígado, rins e intestinos. O coração e a aorta beneficiam-se por sua vez de uma massagem interna, exercida pela expansão e contracção do músculo diafragmático. A absorção do oxigénio e a eliminação do dióxido de carbono, realiza-se com maior eficácia. Todos estes resultados são produto de uma respiração abdominal profunda, lenta, pausada, fina e tranquila. O ritmo inspiração – pausa – expiração- pausa é controlado da medula, perto do occipício, na união do crânio com as vértebras cervicais. A insistência do Taiji em manter as costas direitas e a cabeça ligeiramente erguida, uma maior harmonia e coordenação da respiração e das suas fases. Também uma boa postura corporal, equilibrada, sem excessos de curvaturas e com uma estabilidade na coluna vertebral, libera a caixa torácica de pressões provocadas por posições incorrectas.
Pode acontecer aparecerem na prática tipos de respiração inadequada, que entorpecem o nosso desenvolvimento no caminho do Taiji: Basicamente, são três:
· A respiração audível: Quando realizamos o concatenamento e o ouvido percebe o ruído da respiração, isto é sinal de uma desestabilização no ritmo entre a respiração e a expiração e entranha uma falta de descontracção e de tranquilidade no conjunto corpo-mente.
· A respiração entrecortada: Ainda quando a respiração não seja audível, mas exista uma obstrução nas vias respiratórias (resfriados, sinusites...), o melhor é adiar a prática até desaparecer a patologia que nos afecta.
· A respiração rápida: Devemos de evitar os momentos de excitação provocados por alimentos ou por circunstâncias emotivas. Nos ditos casos é recomendável esperar por um momento mental mais propício.
A perfeita respiração no Taiji não é audível, nem entrecortada, nem rápida, mas sim continuada, tranquila, apenas perceptível; tão fina que quase não se nota, com uma cadência de ritmo intimamente relacionada com o movimento da postura, ajudando a uma maior avaliação do sentimento na prática. No caso de dar-se alguma das três respirações inadequadas, isso demonstra que a nossa respiração não está bem regulada e se queremos utilizar a nossa atenção para a sua correcção, o pensamento transformar-se-á e será muito difícil sossegá-lo.
Se desejamos a regularização da respiração, devemos seguir três pontos: Concentrar a atenção no ponto Dan Tian (três dedos por debaixo do umbigo) como meio para dissipar os pensamentos e como método para aumentar a nossa percepção sobre o nosso corpo.
Exploraremos todo o nosso corpo com uma visualização, para a eliminação de todos aqueles pontos de tensão muscular; assim conseguiremos um estado como se nadássemos no ar.
Uma vez realizados os dois passos antecedentes, atendermos à acção em si; a maneira como em cada respiração atraímos o ar dentro de nós, até que toca o ponto Dan Tian e vai inchando o abdómen e renovando as nossas energias; passando à expiração, imaginando como expulsamos tudo quanto é impuro e nocivo para a nossa estrutura corporal.
Se nos sujeitamos à consecução de uma respiração perfeita (fina, lenta, pausada, profunda e tranquila) esta ficará devidamente regulada e teremos evitado um estorvo no caminho do Taiji Quan.


Jose Augusto da Silva Costa
Consultor Técnico Internacional de Artes Marciais
Doutorado em Artes Marciais pela Black Belts University
Instrutor Internacional de Karate-Do Shotokan 5º Dan JKA
Licenciado pela The Japan Karate Association - Tóquio
Director Técnico Nacional do Karate Clube de Portugal

Fonte: http://www.taochia.pro.br/artigo06.htm