segunda-feira, 30 de junho de 2008

Mogo - Conto chinês.


Há muitos anos, vivia na China um jovem chamado Mogo cujo meio de vida era lascar pedra pelas ruas, debaixo de sol e chuva.
Seu trabalho era muito cansativo, mas Mogo era são e forte: podia ter sido muito feliz.No entanto, estava muito descontente com sua sorte e nada mais fazia que queixar-se desde manhã até à noite.
Seu anjo da guarda via com pesar como seu protegido desprezava tudo o que de bom o Senhor lhe havia dado e invejava os que tinham mais que ele, tinha medo que a alma de Mogo se desfigurasse e acabasse por perder-se.Por isso, uma noite em que o jovem dormia, o anjo estendeu suas grandes asas brancas e elevou-se até o céu. Prosternou-se ante o Senhor e suplicou-lhe que concedesse a Mogo a graça de transformar-se em um poderoso cavaleiro de modo que não tivesse que invejar ninguém e, assim, salvar sua alma.- Eu o concedo - disse o Senhor. - E de agora em diante Mogo terá tudo o que desejar.
No dia seguinte, Mogo estava entregue a seu trabalho, quando de repente foi envolvido por uma nuvem de poeira levantada por um grupo de cavalos que puxava a carruagem em que viajava um nobre, cujo traje de ouro e pedras preciosas brilhava as sol.
Passando as mãos pelo rosto suado e sujo, Mogo disse com amargura:- Por que não posso eu ser nobre também?
- Sê-lo-ás! - Murmurou seu anjo invisível com imensa alegria.
E Mogo foi dono de um palácio sumptuoso e de terras infindas, e teve servidores e cavalos. Costumava sair todos os dias com seu impressionante cortejo para ver como o povo e, especialmente seus antigos companheiros, alinhavam-se respeitosamente à beira da rua.
Numa tarde de verão, percorria o campo com sua escolta. O calor estava insuportável, e debaixo de seu guarda-sol dourado, Mogo transpirava nem mais nem menos do que quando lascava pedras. Pensou então que não era o mais poderoso do mundo: sobre ele havia príncipes, imperadores, e ainda mais alto que estes estava o sol, que a ninguém obedecia e que era o rei do firmamento.- Ah, anjo meu! Por que não posso ser o sol? - Lamentou-se Mogo.- Pois sê-lo-ás! - Exclamou o anjo docemente mas, com uma enorme tristeza, ante tanta ambição.
E Mogo foi sol, como era seu desejo.
Enquanto brilhava no céu em todo seu esplendor orgulhoso de poder amadurecer as colheitas e as frutas na terra, ou queimá-las, a seu bel-prazer.Um ponto negro avançava ao seu encontro. A mancha escura crescia conforme avançava. Era uma grande nuvem que estendia seus escuros véus em torno do disco luminoso do sol. O astro rei lançava seus raios luminosos mais potentes contra a nuvem que o ofuscava, tentando incendiá-la. Mas as trevas fizeram-se cada vez mais densas e a noite desceu.
- Anjo! - gritou Mogo - A nuvem é mais forte do que eu! Quero ser nuvem!
- Sê-lo-ás! - Respondeu o anjo.
Mogo, sendo nuvem, desencadeou-se:
- Sou poderoso! - Gritava, escurecendo o sol.
- Sou invencível! - Trovejava, perseguindo as ondas.
Mas, na costa deserta do oceano erguia-se uma imensa rocha de granito, tão velha como o mundo. E a Mogo parecia que a rocha o desafiava e desencadeou uma terrível tempestade. As ondas, enormes e furiosas, golpeavam a rocha como a querer arrancá-la do solo e atirá-la no fundo do mar. Mas, firme e impassível, ali estava a rocha.
- Anjo! - Soluçava Mogo, - a rocha é mais forte que a nuvem! Quero ser rocha.
E Mogo foi rocha.
- Quem poderá vencer-me agora? - Perguntava a si mesmo.
Certa manhã, Mogo sentiu uma lancetada aguda em suas entranhas de pedra, e em seguida uma dor profunda como se uma parte de seu corpo de granito estivesse sendo dilacerada. Logo ouviu golpes surdos, insistentes, e novamente a dor lancinante...Louco de espanto gritou:
- Alguém está matando-me anjo! Quero ser como ele!
- E sê-lo-ás! - Exclamou o anjo chorando.
E foi assim que Mogo voltou a lascar pedras nas ruas.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Isso também passará!


Um praticante foi até junto do seu professor de meditação, tristemente, e disse:
"Minha prática de meditação é horrível! Ou eu fico distraído, ou minhas pernas doem muito, ou eu constantemente fico com sono. É simplesmente horrível!!!!"
"Isso passará," o professor disse suavemente.
Uma semana depois, o estudante retornou ao seu professor, eufórico:
"Minha prática de meditação é maravilhosa! Eu sinto-me tão consciente, tão pacífico, tão relaxado, tão vivo! É simplesmente maravilhoso!!!!!"
O mestre disse tranquilamente:
"Isso também passará."

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Jackie Chan lança apelo à prática pacífica das artes marciais


25 06 2008 14.41H
O actor chinês e especialista de kung-fu Jackie Chan esteve hoje de visita a Timor-Leste, onde lançou um apelo ao respeito pelo carácter pacífico das artes marciais.
Pedro Junceiro com Lusa
pjunceiro@destak.pt


«O objectivo das artes marciais, qualquer que seja o estilo e a modalidade, é sempre o mesmo: a unidade, a disciplina, o respeito», afirmou Jackie Chan, em visita de três dias como embaixador da Boa-Vontade da Unicef, perante uma multidão entusiasmada de cerca de 3.500 praticantes timorenses.
«Não tenho nada para vos dar. O presente que vos deixo é a minha experiência de vida e as palavras do meu pai há 40 anos», disse Jackie Chan aos jovens no relvado e nas bancadas, lembrando a sua infância difícil em Hong Kong, quando foi entregue, com seis anos de idade, a uma escola de artes marciais.
«O meu pai disse-me que eu ia ficar sem ninguém e que devia lembrar três coisas: nunca entrar nas drogas, nunca entrar nos gangs e nunca entrar no jogo», recordou hoje Jackie Chan aos jovens timorenses.
«Vocês têm sorte. Têm um país novo e um governo novo para vos ajudar. Eu não tive nada disso. Eu não tinha futuro. Esperava sempre pela Cruz Vermelha e pela Unicef para me darem comida e roupa», acrescentou o actor chinês.
Lembrando que as «artes marciais não são para combater na rua, não são para usar contra alguém nem estragar coisas», Jackie Chan referiu que usando as «artes marciais contra alguém indefeso, não são heróis, não são ninguém».

Jornal Destak de 25 de Junho de 2008

terça-feira, 24 de junho de 2008

O grande Mestre de Tai Chi.

video

"Quem conhece a força de sua masculinidade e, todavia, mantém sua flexibilidade feminina; quem conhece a força, mas guarda a doçura, assemelha-se a um vale do império. A virtude eterna jamais o abandona. Torna-se como uma criança." (Tao Te Ching - Lao Tsé)

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Como chegar a "sábio".


- Mestre, como faço para me tornar um sábio?
- Boas escolhas .
- Mas como fazer boas escolhas?
- Experiência - diz o mestre.
- E como adquirir experiência, mestre?
- Más escolhas.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Muitas maneiras de ficar zen.


Essa palavra oriental, que entrou na moda há cerca de uma década, nos lembra de viver no presente e cultivar momentos de paz mesmo na agitação da rotina. Descubra como fazer essas pausas e estar sempre de bem com a vida, a qualquer hora, em qualquer lugar.
Liliane Oraggio

Ser zen é "estar activo em tranquilidade e tranquilo em actividade", ensina Buda. Esse é apenas um dos inúmeros princípios da escola soto zen do budismo japonês, fundada no século 13, que podem facilitar muito a vida de quem está sempre agitado, à beira do stress. "Zen virou um adjectivo para caracterizar pessoas calmas, distraídas ou boas demais. Mas não é esse o sentido verdadeiro do termo. Ser zen é estar sempre atento e desperto para viver cada momento, cada problema, cada sensação como se fosse a primeira vez, agindo de maneira sempre nova. O que causa o stress é justamente não perceber que tudo é recriado a cada instante e que cada gesto simples — acordar, comer, tomar água, ir ao trabalho —, embora pareça sempre igual, toma uma nova forma todos os dias. Para o zen a repetição não é enfadonha, mas criativa", ensina o monge Daiju, do Mosteiro Zen do Morro Vargem, em Ibiraçu, Espírito Santo.
Estar atento a tudo que se faz, ter respeito por todos os seres vivos e estar consciente de que tudo no mundo é interligado são algumas das principais lições zen e não é necessário ser monge para praticar isso a todo momento. "Você pode ser zen no trabalho, no trânsito, no supermercado. Por exemplo, em vez de fechar o carro da frente, peça passagem. Em vez de fazer tudo com o piloto automático ligado, viva cada instante prestando atenção em seu corpo, seus pensamentos, sua respiração. Isso é ser zen", diz a monja Coen, da tradição soto zen, fundadora da comunidade zen-budista de São Paulo.

Todo gesto é meditação
"Cada atitude, mesmo as mais simples, pode ser uma meditação. Pois, se bastasse ficar sentado e imóvel durante muitas horas, os sapos seriam os seres mais iluminados do Universo!", diz, brincando, o monge Daiju e completa: "Não devemos ser passivos diante das coisas, mas é importante fazer pausas que acalmem a mente para podermos ter clareza ao agir. É impossível ver o reflexo da lua em águas turbulentas".
Veja a seguir vários jeitos de ser zen.
Preste atenção em tudo que fizer e olhe as acções e os comportamentos repetitivos como uma nova oportunidade de perceber a vida com mais cuidado e amor.
Viva o momento presente. O passado já se foi e o futuro ainda não existe. O aqui e agora é a única realidade.
A respiração tem o poder de mudar rapidamente seu estado de alma. Em situações de stress, ansiedade, raiva, tristeza, acalme sua respiração e tenha em mente que todas as situações são passageiras, que tudo está em constante transformação.
Comece o dia sentando-se com a coluna erecta (pode ser numa cadeira), perceba sua respiração, os batimentos de seu coração, suas tensões, seus pensamentos. Fique assim por alguns minutos, depois respire fundo e vá para o mundo disposto a aceitar o dia como ele vier, como se fosse o primeiro de sua vida.
Em cada gesto simples do quotidiano, você pode descobrir novos prazeres. Saboreie a água e cada alimento como um bem precioso, uma fonte de energia vital. Quando estiver comendo ou cozinhando, não desperdice.
Reserve algum tempo e apenas fique sem fazer nada! Não pense, não contemple, não deseje mudanças.
Simplesmente seja o que é, aceite seu corpo e seus pensamentos.
Lembre-se de olhar para o céu. Isso expande os limites da mente e nos recorda que somos uma pequena parte do imenso Universo, que está sempre em movimento.
Ao falar, use palavras de carinho e respeito, pois você está diante de outro ser humano, seja quem for.
No trânsito, mantenha-se atento e gentil com os outros motoristas. Peça e dê passagem. Se ficar muito alterado com a espera, tenha no carro um CD de música tranquila e algumas balas. Isso baixa a ansiedade e suaviza a raiva e a impaciência.
No trabalho, quando estiver numa situação de conflito ou receber uma provocação, não reaja imediatamente. Respire e preste atenção, pois sempre há uma maneira de resolver as questões de forma pacífica, com respeito e amorosidade. Caso contrário, você entra na sintonia de acções e pensamentos negativos, ruins para os outros e para você mesmo.
Tenha por perto uma caixa de areia com algumas pedras e modifique a posição delas e o traçado nos grãos a cada dia. Mexer no jardim zen é uma forma de aquietar a mente e uma metáfora da vida: tudo está mudando a todo momento, um dia é diferente do outro e você pode criar o seu presente.
Acenda um incenso. Ele marca o tempo de sua meditação ou de qualquer actividade e purifica o ambiente. Além disso, segundo os monges zen-budistas, a fumaça espalha bem-estar para todos os seres e eleva nosso espírito.
Tenha um projecto de vida, mas esteja aberto para perceber as indicações do caminho. Seja flexível como os galhos de uma árvore ao vento, assim nada pode quebrá-lo.
Lembre-se deste provérbio chinês: os mestres podem abrir a porta, mas só você pode entrar.


Fonte: http://bonsfluidos.abril.com.br/livre/edicoes/0046/espiritual06.shtml

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Aprender “esvaziando o copo”...


Quando iniciei a prática de Tai Chi Chuan não tinha a mínima ideia do impacto que ela iria ter na minha vida. No começo tentei “munir-me” o mais possível de tudo o que havia escrito sobre esta arte marcial. Eram livros, revistas e artigos que conseguia arranjar dos meus colegas mais velhos.
Com o “andar” das aulas ia ficando cada vez mais baralhado com o que lia e com o que praticava. Isto passava-se tanto a nível de Tai Chi como de Chi Kung.
Um dia quando já tinha alguma confiança com o meu mestre comentei uma série de dúvidas que me “atormentavam” desde que começara a ler. Ele pura e simplesmente me disse: - “Que um dia tudo seria “claro” para mim. Que não me preocupasse agora com isso.”
Passados que são todos estes anos tudo está mais “claro” e tudo faz mais sentido. Quando leio esta pequena história zen... tenho sempre isto em conta.

Uma xícara de Chá

Nan-In, um mestre japonês durante a era Meiji (1868-1912), recebeu um professor de universidade que veio lhe inquirir sobre Zen. Este iniciou um longo discurso intelectual sobre suas dúvidas.
Nan-In, enquanto isso, serviu o chá. Ele encheu completamente a xícara de seu visitante, e continuou a enchê-la, derramando chá pela borda.
O professor, vendo o excesso se derramando, não pode mais se conter e disse:
"Está muito cheio. Não cabe mais chá!"
"Como esta xícara," Nan-in disse, "você está cheio de suas próprias opiniões e especulações. Como posso eu lhe demonstrar o Zen sem você primeiro esvaziar sua xícara?"