terça-feira, 17 de junho de 2008

Muitas maneiras de ficar zen.


Essa palavra oriental, que entrou na moda há cerca de uma década, nos lembra de viver no presente e cultivar momentos de paz mesmo na agitação da rotina. Descubra como fazer essas pausas e estar sempre de bem com a vida, a qualquer hora, em qualquer lugar.
Liliane Oraggio

Ser zen é "estar activo em tranquilidade e tranquilo em actividade", ensina Buda. Esse é apenas um dos inúmeros princípios da escola soto zen do budismo japonês, fundada no século 13, que podem facilitar muito a vida de quem está sempre agitado, à beira do stress. "Zen virou um adjectivo para caracterizar pessoas calmas, distraídas ou boas demais. Mas não é esse o sentido verdadeiro do termo. Ser zen é estar sempre atento e desperto para viver cada momento, cada problema, cada sensação como se fosse a primeira vez, agindo de maneira sempre nova. O que causa o stress é justamente não perceber que tudo é recriado a cada instante e que cada gesto simples — acordar, comer, tomar água, ir ao trabalho —, embora pareça sempre igual, toma uma nova forma todos os dias. Para o zen a repetição não é enfadonha, mas criativa", ensina o monge Daiju, do Mosteiro Zen do Morro Vargem, em Ibiraçu, Espírito Santo.
Estar atento a tudo que se faz, ter respeito por todos os seres vivos e estar consciente de que tudo no mundo é interligado são algumas das principais lições zen e não é necessário ser monge para praticar isso a todo momento. "Você pode ser zen no trabalho, no trânsito, no supermercado. Por exemplo, em vez de fechar o carro da frente, peça passagem. Em vez de fazer tudo com o piloto automático ligado, viva cada instante prestando atenção em seu corpo, seus pensamentos, sua respiração. Isso é ser zen", diz a monja Coen, da tradição soto zen, fundadora da comunidade zen-budista de São Paulo.

Todo gesto é meditação
"Cada atitude, mesmo as mais simples, pode ser uma meditação. Pois, se bastasse ficar sentado e imóvel durante muitas horas, os sapos seriam os seres mais iluminados do Universo!", diz, brincando, o monge Daiju e completa: "Não devemos ser passivos diante das coisas, mas é importante fazer pausas que acalmem a mente para podermos ter clareza ao agir. É impossível ver o reflexo da lua em águas turbulentas".
Veja a seguir vários jeitos de ser zen.
Preste atenção em tudo que fizer e olhe as acções e os comportamentos repetitivos como uma nova oportunidade de perceber a vida com mais cuidado e amor.
Viva o momento presente. O passado já se foi e o futuro ainda não existe. O aqui e agora é a única realidade.
A respiração tem o poder de mudar rapidamente seu estado de alma. Em situações de stress, ansiedade, raiva, tristeza, acalme sua respiração e tenha em mente que todas as situações são passageiras, que tudo está em constante transformação.
Comece o dia sentando-se com a coluna erecta (pode ser numa cadeira), perceba sua respiração, os batimentos de seu coração, suas tensões, seus pensamentos. Fique assim por alguns minutos, depois respire fundo e vá para o mundo disposto a aceitar o dia como ele vier, como se fosse o primeiro de sua vida.
Em cada gesto simples do quotidiano, você pode descobrir novos prazeres. Saboreie a água e cada alimento como um bem precioso, uma fonte de energia vital. Quando estiver comendo ou cozinhando, não desperdice.
Reserve algum tempo e apenas fique sem fazer nada! Não pense, não contemple, não deseje mudanças.
Simplesmente seja o que é, aceite seu corpo e seus pensamentos.
Lembre-se de olhar para o céu. Isso expande os limites da mente e nos recorda que somos uma pequena parte do imenso Universo, que está sempre em movimento.
Ao falar, use palavras de carinho e respeito, pois você está diante de outro ser humano, seja quem for.
No trânsito, mantenha-se atento e gentil com os outros motoristas. Peça e dê passagem. Se ficar muito alterado com a espera, tenha no carro um CD de música tranquila e algumas balas. Isso baixa a ansiedade e suaviza a raiva e a impaciência.
No trabalho, quando estiver numa situação de conflito ou receber uma provocação, não reaja imediatamente. Respire e preste atenção, pois sempre há uma maneira de resolver as questões de forma pacífica, com respeito e amorosidade. Caso contrário, você entra na sintonia de acções e pensamentos negativos, ruins para os outros e para você mesmo.
Tenha por perto uma caixa de areia com algumas pedras e modifique a posição delas e o traçado nos grãos a cada dia. Mexer no jardim zen é uma forma de aquietar a mente e uma metáfora da vida: tudo está mudando a todo momento, um dia é diferente do outro e você pode criar o seu presente.
Acenda um incenso. Ele marca o tempo de sua meditação ou de qualquer actividade e purifica o ambiente. Além disso, segundo os monges zen-budistas, a fumaça espalha bem-estar para todos os seres e eleva nosso espírito.
Tenha um projecto de vida, mas esteja aberto para perceber as indicações do caminho. Seja flexível como os galhos de uma árvore ao vento, assim nada pode quebrá-lo.
Lembre-se deste provérbio chinês: os mestres podem abrir a porta, mas só você pode entrar.


Fonte: http://bonsfluidos.abril.com.br/livre/edicoes/0046/espiritual06.shtml

3 comentários:

Caçadora de Emoções disse...

Obrigada por ter partilhado connosco estes pensamentos. Ser zen passa sobretudo pela nossa atitude perante a vida e os outros. Tento adoptá-la, embora ainda esteja no início da caminhada... Ao meu ritmo vou chegando lá.
Um bom dia. Abraços,

toufarto disse...

E isso de dar a ler publicidade quando se abre a caixa de comentários também é uma atitude ZEN?

Ignorantes e oportunistas vestidos de roupagens pseudo-espirituais aparecem por aí todos os dias.

O tempo é-vos propício.

O Espírito do Tai Chi disse...

Lamento sinceramente que atrás de uma opinião esteja um "anónimo".
Isto porque gostava que trocássemos ideias e não ficar atrás duma "cortina"... a lançar "atoardas" fáceis e despropositadas. Mas também essa é uma "forma" de ser e estar na vida...
Boa sorte para si... toufarto!