segunda-feira, 28 de julho de 2008

O Bambu chinês.

Depois de plantada a semente deste incrível arbusto, não se vê nada, absolutamente nada, por 4 anos – excepto o lento desabrochar de um diminuto broto, a partir do bolbo.
Durante 4 anos, todo o crescimento é subterrâneo, numa maciça e fibrosa estrutura de raiz, que se estende vertical e horizontalmente pela terra.
Mas então, no quinto ano, o bambu chinês cresce, até atingir 24 metros”.
Covey escreveu: “Muitas coisas na vida (pessoal e profissional) são iguais ao bambu chinês.”
Você trabalha, investe tempo e esforço, faz tudo o que pode para nutrir seu crescimento, e as vezes não se vê nada por semanas, meses ou mesmo anos. Mas, se tiver paciência para continuar trabalhando e nutrindo, o “quinto ano” chegará e o crescimento e a mudança que se processam o deixarão espantado. O bambu chinês mostra que não podemos desistir fácil das coisas... Em nossos trabalhos, especialmente projectos que envolvem mudanças de comportamento, cultura e sensibilização para acções novas, devemos nos lembrar do bambu chinês para não desistirmos fácil frente às dificuldades que surgem e que são muitas...

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Imagine...




Imagine que não existe paraíso
É fácil se você tentar
Nenhum inferno abaixo de nós
E acima apenas o céu
Imagine todas as pessoas
Vivendo para o hoje
Imagine não existir países
Não é difícil de fazê-lo
Nada pelo que lutar ou morrer
E nenhuma religião também
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz
Talvez você diga que eu sou um sonhador
Mas não sou o único
Desejo que um dia você se junte a nós
E o mundo, então, será como um só
Imagine não existir posses
Surpreenderia-me se você conseguisse
Sem necessidades e fome
Uma irmandade humana
Imagine todas as pessoas
Compartilhando o mundo
Talvez você diga que eu sou um sonhador
Mas não sou o único
Desejo que um dia você se junte a nós
E o mundo, então, será como um só.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Desapego.


Um cidadão fez voto de desapego e pobreza. Dispôs de todos os seus bens e propriedades, reservou para si apenas duas tangas, e saiu Índia afora em busca de todos os sábios, medindo na verdade o desapego de cada um. Levava apenas uma tanga no corpo e outra para troca, sempre necessário.Estava convencido de não encontrar quem ganhasse de si em despojamento, quando soube de um velho guru, bem ao norte, aos pés do Himalaia. Tomando as direcções, parte ao encontro do velho sábio.Quando lá chegou, tristeza e decepção! Encontrou terras bem cuidadas, um palácio faustoso, muita riqueza, muita pompa. Indignado, procura pelo guru. Um velho servo lhe diz que ele está em uma ala dos magníficos jardins com seus discípulos, estudando desapego. Como era costume da casa Ter gentileza para com os hóspedes, o servo convida o andarilho para o banho, repouso e refeição, antes de se dirigir à presença do sábio.Achando tudo muito estranho, o desapegado aceita a sugestão. Toma um bom banho, lava sua tanga usada, coloca-a para secar no quarto e sai em busca do guru. Completamente injuriado, queria contestar e desmascarar aquele que julgava um impostor, pois em sua concepção desapego não combinava com posses. Aproxima-se do grupo, que ouve embevecido as palavras do mestre e fica ruminando um ardil para atacar o guru, quando, correndo feito um doido, chega um dos serviçais gritando:- Mestre, mestre, o palácio está pegando fogo, um incêndio tomou conta de tudo. O senhor está perdendo uma fortuna! O sábio, impassível, continua sua prédica. O desapegado viajante das duas tangas dá um salto e sai em desabalada carreira, gritando:- Minha tanga, minha tanga, o fogo está destruindo minha tanga...
PS - Mais uma colaboração da amiga Teresa.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Mais devagar.


Um jovem atravessou o Japão em busca da escola de um famoso praticante de artes marciais. Chegando ao dojo, foi recebido em audiência pelo Sensei.
- O que você quer de mim? - Perguntou-lhe o mestre.
- Quero ser seu aluno e tornar-me o melhor karateca do país. Quanto tempo preciso estudar?
- Dez anos, pelo menos.
- Dez anos é muito tempo respondeu o rapaz. E se eu praticasse com o dobro da intensidade dos outros alunos?
- Vinte anos.
- Vinte anos! E se eu praticar noite e dia, dedicando todo o meu esforço?
- Trinta anos.
- Mas, eu lhe digo que vou dedicar-me em dobro, e o senhor me responde que a duração será maior?
- A resposta é simples. Quando um olho está fixo aonde se quer chegar, só resta um para se encontrar o caminho.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Souvenir of China.

China 1981. Concerto de Jean Michel Jarre. Momentos históricos. O "vinil" ainda o guardo "religiosamente".
Oiçam e vejam!... (o Tai Chi também lá está...)



quinta-feira, 17 de julho de 2008

O Palhaço.


CIRCO

No circo cheio de luz
Há tanto que ver!...
"Senhores!"

-Grita o palhaço da entrada,
Todo listrado de cores-
"Entrai, que não custa nada!
À saída é que se paga..."
..................................
O palhaço entrou em cena,
Ri, cabriola, rebola,
Pega fogo á multidão.

Ri, palhaço!

Corpo de borracha e aço
Rebola como uma bola,
Tem dentro não sei que mola
Que pincha, emperra, uiva, guincha,
Zune, faz rir!
José Régio, As Encruzilhadas de Deus
Porquê o palhaço? - perguntam vocês.
Simplesmente porque... eles me fazem rir. E na vida é tão importante rirmos...


quarta-feira, 16 de julho de 2008

Você aprende!...

É verdade... todos os dias nós aprendemos. Mas (também sabemos) que nem sempre aplicamos o que aprendemos... Endereço o meu obrigado à minha amiga Teresa que me enviou o "link" deste belo video para... nós nos relembrarmos.


segunda-feira, 14 de julho de 2008

Ecologia Corporal.


O artigo é um pouco extenso mas... vale a pena!...

1 - O modelo ecológico

Foram três séculos de império da razão sobre a humanidade. O homem dono do saber e proprietário da natureza, hoje convive com o resíduo de sua acção. A grande festa acabou, deixando como resultado o lixo, a degradação, a extinção do homem à natureza. Somos chamados a recolher os pedaços, no sentido científico ao ambiental (enquanto atitude, comportamento). Buscamos caminhos que devolvam ao homem a capacidade de “raciocinar” com o coração e sentir com o cérebro” (Weil, pág. 21, 1993). Um método de sensibilização, de despertar no homem todo seu potencial de relacionar-se com o mundo de maneira intensa, equilibrada, harmónica e prazerosa.
Precisamos “reprogramar” o homem condicionado a uma determinada forma de perceber o mundo, mudar esse “padrão” de descodificação das mensagens (informações) apresentadas pelo meio ambiente, e de sua forma de agir sobre o meio. Precisamos devolver-lhes a capacidade de sentir e perceber o mundo, o prazer de viver a vida de forma equilibrada, respeitadora dos limites que põem em risco a sua vida, todas as formas de vida.
O círculo vicioso, gerador do desequilíbrio corpo/mente/meio ambiente tem raízes seculares, sendo impossível que esse “desequilíbrio” ter sido gerado pela própria natureza. O homem desde os primórdios tem fome de saber e de poder, enquanto a natureza sempre permaneceu passiva diante das acções humanas. Porém, nunca derrotada. Subtil e sábia insistiu em sobreviver e se “acomodou” as novas situações. Refaz seu programa, estabeleceu novos padrões de comportamento. Conseguiu equilibrar-se, auto-regular-se.
Por que não nos espelhamos nessa capacidade, nesta aptidão para nos reorganizar-mos? Santin (1988), acredita que a vivência com as grandes harmonias da natureza podem servir de antídoto contra a desarmonia causada pela manipulação emocional (e intelectual).


Exercícios de exploração dos sentidos:
Csikszentmihalyi (1992), em sua teoria do “fluir”, sugere caminhos em busca de um estado de “felicidade” contida em cada minuto de nossa vida, se prestarmos mais atenção a tudo que nos acontece e assim melhorar nossa qualidade de vida - “...o caminho mais fácil para melhorar a qualidade de vida consiste simplesmente em aprender a controlar o corpo e seus sentidos”. O que nos remete a expressão usada por Siqueira & Ferraz (1987) - “afiar os sentidos” para poder perceber o belo, ter prazeres, satisfações...
Massagens: Podemos “afiar” nossos sentidos de muitas formas, brincando, como já vimos, ou através de massagens. Os diversos tipos e técnicas de massagens nos devolve o calor do contacto entre os corpos, o toque, oferecendo a consciência de seu próprio corpo, seus pontos de tenção, inibição e de prazer , desperta os
sentidos, distensiona, reequilibra, sensibiliza.
Jogos Cooperativos: Suas características vão de encontro aos “princípios ecológicos” a partir do momento em que tem como objectivos promover o auto-controle e valores humanos positivos. Para Orlick (1989), esses valores vão desde aprender a responsabilizar-se por si próprio e pelo bem estar dos outros, mudanças nas relações entre ganhar e perder, alterando as formas de ganhar , aprender a perder, controlar a ansiedade e técnicas de relaxamento. Orlick assegura que o mais importante “...é ajudar as pessoas a verem a si mesmas e os outros como seres humanos igualmente valiosos , tanto na vitória como na derrota”.
Artes marciais: As artes marciais vindas do oriente têm em comum o facto basearem-se nos princípios que marcam essa cultura. Uma delas é o Tai Chi Chuan. “caminho”. Os exercícios são inspirados nos movimentos
da natureza , e através deles o praticante mantém um contacto profundo consigo mesmo, estabelecendo a noção de equilíbrio e harmonização dos opostos.
Yoga: É um dos sistemas de filosofia da Índia, que valoriza a importância da saúde física, como primeiro passo para a saúde mental e espiritual. Seu objectivo é conseguir alcançar um estado mental que permita não ser perturbado pelas atribulações quotidianas, proporcionando assim um estado de “União”. Procura atingir os níveis mais elevados de saúde física e mental, sendo que o desenvolvimento individual é de profunda importância para a melhora dos desenvolvimento colectivo.
Dinâmicas de grupo: Para Fritzen (1995) “o homem é essencialmente um SER para os demais, um SER em relação, que depende dos demais. Disto, em geral, as pessoas têm muito pouco consciência, mas é algo que não se adquire, a não ser pela vivência”. Alguns exercícios procuram despertar nas pessoas o sentimento de solidariedade, adormecido pelo indivíduo e pelo egoísmo. Outros ainda buscam mais directamente uma colaboração efectiva, afastando a frieza, o indiferentismo, a agressividade, o desejo de dominação, o tratamento da pessoa como objecto”. O que equivale dizer, nas palavras de Weil (1990) que esses exercícios visam “sensibilizar” e despertar a consciência de que a fonte de destruição, violência e guerra encontra-se dentro de nós mesmos e que a Paz é responsabilidade de cada um”.
Danças: Através da dança podemos nos conhecer e movimentar o corpo e a mente, proporcionando uma maior percepção corporal. A união da música e da dança têm sido usada pelas mais diversas culturas do planeta através de séculos com objectivo de despertar a consciência, curar o corpo físico, além de ser o ponto marcante de celebrações especiais. Segundo seus mestres, tem como objectivo a integração do indivíduo ao grupo, o desenvolvimento da aceitação do ritmo individual, dentro de um ritmo grupal. O fato de serem realizadas de mão dadas, contribui para a harmonia do grupo, proporcionando um estado de alegria capaz de revitalizar os corpos físicos, emocional, mental e espiritualmente.


quinta-feira, 10 de julho de 2008

Saber e... Sabedoria.


Ao ler “Os Ensinamentos do Mestre e a Arte de Viver”, de Chao-Hsiu Chen, senti necessidade de “partilhar” convosco este trecho. Que ele tenha, pelo menos, a virtude de vos fazer reflectir... como me fez a mim.

Um abraço e um bem-haja para todos vós!...


- Mas há aqui tantos livros que ainda precisava de estudar – lamentou-se o jovem – Como é possível abandoná-los sem os ter lido?
O Mestre sorriu.
- E que aconteceria se os tivesses lido todos?
- Teria encontrado a sabedoria – respondeu o discípulo.
- Não confundas sabedoria com saber – advertiu o Mestre. – O saber podes encontrá-lo nos livros, mas a sabedoria só no teu coração. O saber sem sabedoria é como uma lâmpada que temos na mão, mas que não conseguimos acender. Pelo contrário a sabedoria sem saber é como uma chama que rapidamente se extingue, porque lhe falta o azeite necessário. Só quando possuímos as duas coisas, saber e sabedoria, é que a luz ilumina até a noite mais escura.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Segue o teu destino.


Segue o teu destino

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.


Ricardo Reis

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Principios gerais de Tai Chi.

Desta vez optei por um pequeno video que vos pode elucidar alguns dos principios básicos do Tai Chi.
Espero que gostem.
Um bom fim de semana em paz e harmonia!...

quinta-feira, 3 de julho de 2008

A Respiração no Taiji Quan (Tai Chi Chuan)


O oxigénio é um dos elementos básicos de toda a vida e como tal, essencial para todo o ser vivo. No Taiji Quan integra-se no movimento corporal outro movimento, o da respiração, que com ritmo regulado em estreita união com as posturas, cria uma acção global de todo o corpo. Esta combinação fomenta a descontracção muscular (sente-se principalmente nos ombros, cotovelos e cintura) e ao mesmo tempo fomenta um apaziguamento dos pensamentos, tranquilizando e descontraindo a mente.
Em vários estudos realizados especificamente sobre a respiração abdominal (aquela na que intervém o músculo diafragmático), destacou a sua eficácia como terapia profiláctica.
Um pesquisador, o professor de psicologia clínica Dr. Tadashi Nakamura, começou a demonstrar que a relação entre respiração e estados emocionais, é um facto claramente estabelecido. E depois de um estudo estatístico, é um facto que na maioria das pessoas, a função pulmonar chega ao ponto culminante por volta dos vinte anos, reduzindo-se esta a um nível de uma criança de nove anos, por volta dos sessenta.
No entanto, graças a um treino continuado em Taiji e ao uso de uma respiração profunda e harmoniosa, pode ser compensado este declive pulmonar, minimizando os efeitos do envelhecimento. O diafragma, acostumado à inactividade ou a uma actividade mínima, devido ao hábito generalizado de uma respiração clavicular ou alta, com a respiração abdominal começa a entrar em acção, dando como resultado uma estimulação do estômago, fígado, rins e intestinos. O coração e a aorta beneficiam-se por sua vez de uma massagem interna, exercida pela expansão e contracção do músculo diafragmático. A absorção do oxigénio e a eliminação do dióxido de carbono, realiza-se com maior eficácia. Todos estes resultados são produto de uma respiração abdominal profunda, lenta, pausada, fina e tranquila. O ritmo inspiração – pausa – expiração- pausa é controlado da medula, perto do occipício, na união do crânio com as vértebras cervicais. A insistência do Taiji em manter as costas direitas e a cabeça ligeiramente erguida, uma maior harmonia e coordenação da respiração e das suas fases. Também uma boa postura corporal, equilibrada, sem excessos de curvaturas e com uma estabilidade na coluna vertebral, libera a caixa torácica de pressões provocadas por posições incorrectas.
Pode acontecer aparecerem na prática tipos de respiração inadequada, que entorpecem o nosso desenvolvimento no caminho do Taiji: Basicamente, são três:
· A respiração audível: Quando realizamos o concatenamento e o ouvido percebe o ruído da respiração, isto é sinal de uma desestabilização no ritmo entre a respiração e a expiração e entranha uma falta de descontracção e de tranquilidade no conjunto corpo-mente.
· A respiração entrecortada: Ainda quando a respiração não seja audível, mas exista uma obstrução nas vias respiratórias (resfriados, sinusites...), o melhor é adiar a prática até desaparecer a patologia que nos afecta.
· A respiração rápida: Devemos de evitar os momentos de excitação provocados por alimentos ou por circunstâncias emotivas. Nos ditos casos é recomendável esperar por um momento mental mais propício.
A perfeita respiração no Taiji não é audível, nem entrecortada, nem rápida, mas sim continuada, tranquila, apenas perceptível; tão fina que quase não se nota, com uma cadência de ritmo intimamente relacionada com o movimento da postura, ajudando a uma maior avaliação do sentimento na prática. No caso de dar-se alguma das três respirações inadequadas, isso demonstra que a nossa respiração não está bem regulada e se queremos utilizar a nossa atenção para a sua correcção, o pensamento transformar-se-á e será muito difícil sossegá-lo.
Se desejamos a regularização da respiração, devemos seguir três pontos: Concentrar a atenção no ponto Dan Tian (três dedos por debaixo do umbigo) como meio para dissipar os pensamentos e como método para aumentar a nossa percepção sobre o nosso corpo.
Exploraremos todo o nosso corpo com uma visualização, para a eliminação de todos aqueles pontos de tensão muscular; assim conseguiremos um estado como se nadássemos no ar.
Uma vez realizados os dois passos antecedentes, atendermos à acção em si; a maneira como em cada respiração atraímos o ar dentro de nós, até que toca o ponto Dan Tian e vai inchando o abdómen e renovando as nossas energias; passando à expiração, imaginando como expulsamos tudo quanto é impuro e nocivo para a nossa estrutura corporal.
Se nos sujeitamos à consecução de uma respiração perfeita (fina, lenta, pausada, profunda e tranquila) esta ficará devidamente regulada e teremos evitado um estorvo no caminho do Taiji Quan.


Jose Augusto da Silva Costa
Consultor Técnico Internacional de Artes Marciais
Doutorado em Artes Marciais pela Black Belts University
Instrutor Internacional de Karate-Do Shotokan 5º Dan JKA
Licenciado pela The Japan Karate Association - Tóquio
Director Técnico Nacional do Karate Clube de Portugal

Fonte: http://www.taochia.pro.br/artigo06.htm

terça-feira, 1 de julho de 2008

I Ching.


Do obscuro e não documentado alvorecer da cultura chinesa, confrontando mitos e lendas, podemos chegar à conclusão de que o mais antigo método de adivinhação foi a leitura dos ossos de animais. Talvez o precursor do fantástico I Ching.
Muito antes da civilização Lunchão, surgida na era neolítica, desenvolvera-se o costume de tirar os ossos omoplatas de vários animais e aquecê-los no fogo, dando uma interpretação adivinhatória às rachaduras que apareciam nos ossos. O mesmo sucedeu-se com a leitura das rachaduras nos cascos de tartaruga.
No terceiro milénio da nossa era surgiram três importantes personalidades, tidas como civilizadoras, que contribuíram para a formação da milenar cultura chinesa.
Houve depois muitos outros heróis culturais que, embora só conheçamos em formas de lendas e mitos, provavelmente existiram na realidade.

O primeiro civilizador foi Fu-hsi, cujo nome se liga à cozinha e ao preparo de alimentos. Primeiro caçador, pescador e curtidor de pele de animais para obtenção do couro; e introdutor da instituição oficial do casamento. Fu-hsi governou por meio de adivinhação por varinhas de milefólio, elaboradas por ele mesmo. Aperfeiçoou o sistema, anexando oito trigramas, baseado nos elementos primordiais da natureza. Esses oito trigramas tornaram-se depois o fundamento dos hexagramas do ensinamento do I Ching.
O sucessor de Fu-hsi foi Chen-nung, o segundo herói cultural. Introduziu o uso da enxada e do arado de madeira, favorecendo o primeiro comércio organizado. Foi conhecido como o Ien-ti, o Senhor do Fogo ou esposo divino.
O terceiro herói foi Huang-ti, o Senhor Amarelo, que se tornou o patrono do taoísmo. As inovações culturais a ele atribuídas são numerosas: a plantação de sete espécies de grãos, o poço, a casa, a cerâmica, o arco e a flecha; a moeda, o pilão e o gral; barcos e remos; roupas e sapatos; o calendário, instrumentos musicais e o aperfeiçoamento da adivinhação pelo milefólio ( mil-em-rama ). Também o criador do zodíaco chinês, dos signos-animais.Segundo mitos e lendas, após Fu-hsi, o I Ching teve outros três compiladores que enriqueceram o seu conteúdo: o Rei Wen, que acrescentou um julgamento para cada um dos 64 hexagramas; Chou, que incorporou os comentários referentes aos traços mutáveis dos hexagramas e Confúcio que anexou os comentários a cada hexagrama.
O período Chou durou cinco séculos. Por volta de 256 a.C. Ch`in tomou o poder, derrubando a dinastia Chou, assumindo o título de Ch`in Huang-ti, Primeiro Imperador, dando a entender que seu reinado marcava o início de uma nova era.
Ch`in unificou a escrita, porém mandou queimar todos os livros que pudessem parecer perigosos e entre os destruídos estavam o Chi Tching ( Livro de Ores ) e o Chu Tching ( Livro de História ). O dano causado foi irreparável. O fundamento básico do I Ching é o conceito da transformação; a eterna lei que rege todo o universo.
Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. Entre os chineses, essa lei era chamada de Tão, o princípio da ordem universal que rege tanto o microcosmo quanto o macrocosmo, o curso dos acontecimentos que se manifesta através do Tai Chi, grande princípio primordial.
Tai Chi é representado por um círculo dividido entre luz e escuridão: o yang e o yin. O yin e o yang são os responsáveis por todo o movimento da matéria e de toda a força vital à atração constante e compensadora dos pólos de energias positiva e negativa. É a representação dos opostos. Porém, cada um contém o outro em germe, porque nem todo o mal é totalmente mau, e, nem todo o bem é totalmente bom.
O HOMEM SUPERIOR FAZ USO DA MENTE, O COMUM FAZ USO DO CORPO. QUEM USA A MENTE GOVERNA, QUEM USA O CORPO É GOVERNADO. O QUE GOVERNA SE ALIMENTA DOS OUTROS, O GOVERNADO FORNECE ALIMENTO AOS OUTROS. (Adágio chinês da Sociedade Chou)


Retirado de: http://www.abtconline.com/iching.htm