segunda-feira, 14 de julho de 2008

Ecologia Corporal.


O artigo é um pouco extenso mas... vale a pena!...

1 - O modelo ecológico

Foram três séculos de império da razão sobre a humanidade. O homem dono do saber e proprietário da natureza, hoje convive com o resíduo de sua acção. A grande festa acabou, deixando como resultado o lixo, a degradação, a extinção do homem à natureza. Somos chamados a recolher os pedaços, no sentido científico ao ambiental (enquanto atitude, comportamento). Buscamos caminhos que devolvam ao homem a capacidade de “raciocinar” com o coração e sentir com o cérebro” (Weil, pág. 21, 1993). Um método de sensibilização, de despertar no homem todo seu potencial de relacionar-se com o mundo de maneira intensa, equilibrada, harmónica e prazerosa.
Precisamos “reprogramar” o homem condicionado a uma determinada forma de perceber o mundo, mudar esse “padrão” de descodificação das mensagens (informações) apresentadas pelo meio ambiente, e de sua forma de agir sobre o meio. Precisamos devolver-lhes a capacidade de sentir e perceber o mundo, o prazer de viver a vida de forma equilibrada, respeitadora dos limites que põem em risco a sua vida, todas as formas de vida.
O círculo vicioso, gerador do desequilíbrio corpo/mente/meio ambiente tem raízes seculares, sendo impossível que esse “desequilíbrio” ter sido gerado pela própria natureza. O homem desde os primórdios tem fome de saber e de poder, enquanto a natureza sempre permaneceu passiva diante das acções humanas. Porém, nunca derrotada. Subtil e sábia insistiu em sobreviver e se “acomodou” as novas situações. Refaz seu programa, estabeleceu novos padrões de comportamento. Conseguiu equilibrar-se, auto-regular-se.
Por que não nos espelhamos nessa capacidade, nesta aptidão para nos reorganizar-mos? Santin (1988), acredita que a vivência com as grandes harmonias da natureza podem servir de antídoto contra a desarmonia causada pela manipulação emocional (e intelectual).


Exercícios de exploração dos sentidos:
Csikszentmihalyi (1992), em sua teoria do “fluir”, sugere caminhos em busca de um estado de “felicidade” contida em cada minuto de nossa vida, se prestarmos mais atenção a tudo que nos acontece e assim melhorar nossa qualidade de vida - “...o caminho mais fácil para melhorar a qualidade de vida consiste simplesmente em aprender a controlar o corpo e seus sentidos”. O que nos remete a expressão usada por Siqueira & Ferraz (1987) - “afiar os sentidos” para poder perceber o belo, ter prazeres, satisfações...
Massagens: Podemos “afiar” nossos sentidos de muitas formas, brincando, como já vimos, ou através de massagens. Os diversos tipos e técnicas de massagens nos devolve o calor do contacto entre os corpos, o toque, oferecendo a consciência de seu próprio corpo, seus pontos de tenção, inibição e de prazer , desperta os
sentidos, distensiona, reequilibra, sensibiliza.
Jogos Cooperativos: Suas características vão de encontro aos “princípios ecológicos” a partir do momento em que tem como objectivos promover o auto-controle e valores humanos positivos. Para Orlick (1989), esses valores vão desde aprender a responsabilizar-se por si próprio e pelo bem estar dos outros, mudanças nas relações entre ganhar e perder, alterando as formas de ganhar , aprender a perder, controlar a ansiedade e técnicas de relaxamento. Orlick assegura que o mais importante “...é ajudar as pessoas a verem a si mesmas e os outros como seres humanos igualmente valiosos , tanto na vitória como na derrota”.
Artes marciais: As artes marciais vindas do oriente têm em comum o facto basearem-se nos princípios que marcam essa cultura. Uma delas é o Tai Chi Chuan. “caminho”. Os exercícios são inspirados nos movimentos
da natureza , e através deles o praticante mantém um contacto profundo consigo mesmo, estabelecendo a noção de equilíbrio e harmonização dos opostos.
Yoga: É um dos sistemas de filosofia da Índia, que valoriza a importância da saúde física, como primeiro passo para a saúde mental e espiritual. Seu objectivo é conseguir alcançar um estado mental que permita não ser perturbado pelas atribulações quotidianas, proporcionando assim um estado de “União”. Procura atingir os níveis mais elevados de saúde física e mental, sendo que o desenvolvimento individual é de profunda importância para a melhora dos desenvolvimento colectivo.
Dinâmicas de grupo: Para Fritzen (1995) “o homem é essencialmente um SER para os demais, um SER em relação, que depende dos demais. Disto, em geral, as pessoas têm muito pouco consciência, mas é algo que não se adquire, a não ser pela vivência”. Alguns exercícios procuram despertar nas pessoas o sentimento de solidariedade, adormecido pelo indivíduo e pelo egoísmo. Outros ainda buscam mais directamente uma colaboração efectiva, afastando a frieza, o indiferentismo, a agressividade, o desejo de dominação, o tratamento da pessoa como objecto”. O que equivale dizer, nas palavras de Weil (1990) que esses exercícios visam “sensibilizar” e despertar a consciência de que a fonte de destruição, violência e guerra encontra-se dentro de nós mesmos e que a Paz é responsabilidade de cada um”.
Danças: Através da dança podemos nos conhecer e movimentar o corpo e a mente, proporcionando uma maior percepção corporal. A união da música e da dança têm sido usada pelas mais diversas culturas do planeta através de séculos com objectivo de despertar a consciência, curar o corpo físico, além de ser o ponto marcante de celebrações especiais. Segundo seus mestres, tem como objectivo a integração do indivíduo ao grupo, o desenvolvimento da aceitação do ritmo individual, dentro de um ritmo grupal. O fato de serem realizadas de mão dadas, contribui para a harmonia do grupo, proporcionando um estado de alegria capaz de revitalizar os corpos físicos, emocional, mental e espiritualmente.


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