terça-feira, 1 de julho de 2008

I Ching.


Do obscuro e não documentado alvorecer da cultura chinesa, confrontando mitos e lendas, podemos chegar à conclusão de que o mais antigo método de adivinhação foi a leitura dos ossos de animais. Talvez o precursor do fantástico I Ching.
Muito antes da civilização Lunchão, surgida na era neolítica, desenvolvera-se o costume de tirar os ossos omoplatas de vários animais e aquecê-los no fogo, dando uma interpretação adivinhatória às rachaduras que apareciam nos ossos. O mesmo sucedeu-se com a leitura das rachaduras nos cascos de tartaruga.
No terceiro milénio da nossa era surgiram três importantes personalidades, tidas como civilizadoras, que contribuíram para a formação da milenar cultura chinesa.
Houve depois muitos outros heróis culturais que, embora só conheçamos em formas de lendas e mitos, provavelmente existiram na realidade.

O primeiro civilizador foi Fu-hsi, cujo nome se liga à cozinha e ao preparo de alimentos. Primeiro caçador, pescador e curtidor de pele de animais para obtenção do couro; e introdutor da instituição oficial do casamento. Fu-hsi governou por meio de adivinhação por varinhas de milefólio, elaboradas por ele mesmo. Aperfeiçoou o sistema, anexando oito trigramas, baseado nos elementos primordiais da natureza. Esses oito trigramas tornaram-se depois o fundamento dos hexagramas do ensinamento do I Ching.
O sucessor de Fu-hsi foi Chen-nung, o segundo herói cultural. Introduziu o uso da enxada e do arado de madeira, favorecendo o primeiro comércio organizado. Foi conhecido como o Ien-ti, o Senhor do Fogo ou esposo divino.
O terceiro herói foi Huang-ti, o Senhor Amarelo, que se tornou o patrono do taoísmo. As inovações culturais a ele atribuídas são numerosas: a plantação de sete espécies de grãos, o poço, a casa, a cerâmica, o arco e a flecha; a moeda, o pilão e o gral; barcos e remos; roupas e sapatos; o calendário, instrumentos musicais e o aperfeiçoamento da adivinhação pelo milefólio ( mil-em-rama ). Também o criador do zodíaco chinês, dos signos-animais.Segundo mitos e lendas, após Fu-hsi, o I Ching teve outros três compiladores que enriqueceram o seu conteúdo: o Rei Wen, que acrescentou um julgamento para cada um dos 64 hexagramas; Chou, que incorporou os comentários referentes aos traços mutáveis dos hexagramas e Confúcio que anexou os comentários a cada hexagrama.
O período Chou durou cinco séculos. Por volta de 256 a.C. Ch`in tomou o poder, derrubando a dinastia Chou, assumindo o título de Ch`in Huang-ti, Primeiro Imperador, dando a entender que seu reinado marcava o início de uma nova era.
Ch`in unificou a escrita, porém mandou queimar todos os livros que pudessem parecer perigosos e entre os destruídos estavam o Chi Tching ( Livro de Ores ) e o Chu Tching ( Livro de História ). O dano causado foi irreparável. O fundamento básico do I Ching é o conceito da transformação; a eterna lei que rege todo o universo.
Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. Entre os chineses, essa lei era chamada de Tão, o princípio da ordem universal que rege tanto o microcosmo quanto o macrocosmo, o curso dos acontecimentos que se manifesta através do Tai Chi, grande princípio primordial.
Tai Chi é representado por um círculo dividido entre luz e escuridão: o yang e o yin. O yin e o yang são os responsáveis por todo o movimento da matéria e de toda a força vital à atração constante e compensadora dos pólos de energias positiva e negativa. É a representação dos opostos. Porém, cada um contém o outro em germe, porque nem todo o mal é totalmente mau, e, nem todo o bem é totalmente bom.
O HOMEM SUPERIOR FAZ USO DA MENTE, O COMUM FAZ USO DO CORPO. QUEM USA A MENTE GOVERNA, QUEM USA O CORPO É GOVERNADO. O QUE GOVERNA SE ALIMENTA DOS OUTROS, O GOVERNADO FORNECE ALIMENTO AOS OUTROS. (Adágio chinês da Sociedade Chou)


Retirado de: http://www.abtconline.com/iching.htm

1 comentário:

Anónimo disse...

parabéns. Gostei.
Baguera