segunda-feira, 29 de setembro de 2008

O Cego e o Sol.


Era uma vez um cego de nascença. Nunca tinha visto o sol e perguntava como ele era para as pessoas. Alguém lhe disse: “é como uma bandeja de latão”, e quando o cego, um dia, deu com uma bandeja pendurada, ouviu o som de metal e guardou-lhe como recordação do sol. Um dia, porém, tocaram sinos de bronze e o cego pensou que era o sol. Até que alguém lhe disse: “a luz do sol, na verdade, é como uma vela”. Um dia, o cego apalpou a vela e pensou que esta era a forma do sol. Assim, um dia encontrou um pedaço de bambu no chão e pensou tratar-se do sol. O Sol é muito diferente do sino ou do bambu, mas o cego não pode ver isso porque nunca viu o sol. O Tao é mais difícil de ver do que o sol, e por isso os homens são com o cego. Ainda que vocês façam comparações, exemplos e tratados, o Tao será como o sol para o cego, parecido com uma bandeja, com um sino ou um bambu. Sempre imaginaremos uma coisa, esquecendo de outra. Assim, os homens se afastam cada vez mais da verdade, dando lhe aparências através de nomes. Todos estes enganos são tentativas de compreender o Tao.


Su Tungp’o

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Fala-nos do conhecimento...


Então, um homem disse-lhe:

Fala-nos do conhecimento de si. E ele respondeu:
Os vossos corações conhecem, no silêncio,os segredos dos dias e das noites.
Mas os vossos ouvidos têm sede de ouvir finalmenteo eco do saber dos vossos corações.
Gostaríeis de saber pelo verboo que sempre soubeste pelo pensamento.
Gostaríeis de sentir com os dedoso corpo nu dos vossos sonhos.
E está certo que assim o queirais.
A fonte oculta da vossa alma deve necessariamente
jorrar e correr a murmurar para o mar;e o tesouro das vossas profundezas infinitas
revelar-se aos vossos olhos.
Mas que não haja balança
que pese o vosso tesouro desconhecido;
e não procureis explorar os abismos do vosso saber
com a vara ou com a sonda,
pois o eu é um mar sem limites e sem medida.
Não digais: "Encontrei a verdade",
mas antes: "Encontrei uma verdade."
Não digais: "Encontrei o caminho da alma."
Mas antes: "Cruzei-me com a alma que seguia pelo meu caminho.
"Pois a alma percorre todos os caminhos.
A alma não caminha sobre uma linha
nem se alonga como uma vara.
A alma abre-se a si própria
como se abre um lótus de inúmeras pétalas.


Khalil Gibran (do livro "O Profeta")

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Árvores "nossas confidentes"...


"Vivam Apenas"

Vivam, apenas
Sejam bons como o sol.
Livres como o vento.
Naturais como as fontes.

Imitem as árvores dos caminhos
que dão flores e frutossem complicações.

Mas não queiram convencer os cardos
e transformar os espinhosem rosas e canções.

E principalmente não pensem na morte.
Não sofram por causa dos cadáveres
que só são belos
quando se desenham na terra em flores.
Vivam, apenas.
A morte é para os mortos!

José Gomes Ferreira

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Chuva na nossa aldeia.

Aqui vos deixo um pequeno conto como forma de vos desejar... um Bom fim de semana!...
"Era uma vez uma vila, onde certo ano não choveu durante meses seguidos. Os habitantes assustados com as consequências que a seca traria para as suas colheitas, caso continuasse, decidiram procurar o auxílio de um sábio de uma aldeia vizinha onde a chuva não tinha cessado.
O sábio viajou até à aldeia e as pessoas logo o observaram, esperando toda a espécie de artifícios e fazeres misteriosos que produzissem algum milagre. Mas ele nada, simplesmente pediu que o deixassem ficar sozinho numa casa afastada da aldeia, o suficiente para poder estar à vontade sem ser perturbado.
Concederam-lhe imediatamente o seu pedido. E durante alguns dias ninguém teve sinais do sábio. Então certo dia começou a chover, e as pessoas saíram para as ruas felizes e contentes. As suas colheitas estavam salvas! Também o sábio apareceu, e perguntaram-lhe o que fizera, ao que ele respondeu: Nada. Muito espantados os aldeões replicaram: como assim? Alguma coisa terá feito para produzir chuva com tanta abundância. Ao que o sábio respondeu: simplesmente descansei e recuperei do cansaço da viagem e então meditei por alguns dias. Foi o Tao que se encarregou de trazer a harmonia da minha para a vossa aldeia.”

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Os principios fundamentais.


As frases que se seguem exprimem com exactidão as bases do Tai Chi:

"A força e a dureza combatidas através da fragilidade e da suavidade".

"Repelir o ímpeto de uma tonelada com um grama".

"Cada passo tão lânguido como os movimentos de um gato".

Simples... não?

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A Libertação do Eu


De entre os vícios que tenho o da leitura ocupa um lugar de destaque. Chego a ter 3 livros que leio simultaneamente. Este trecho com que vos “presenteio” é tirado de um deles. Espero que gostem!...


“Para libertarem a mente de todo o condicionamento, devem ver a sua totalidade sem o pensamento. Não se trata de um enigma; experimentem-no e verão. Alguma vez vêem alguma coisa sem o pensamento? Já alguma vez escutaram, olharam, sem fazerem entrar em cena todo o processo de reacção? Dirão que é impossível ver sem o pensamento; dirão que nenhuma mente pode estar descondicionada. Ao dizerem isto, já se bloquearam a vós mesmos através do pensamento, porque a verdade é que vocês não sabem.
Portanto, poderei olhar, poderá a mente estar consciente do seu condicionamento? Penso que sim. Por favor, experimentem. Conseguem estar conscientes de que são hindus, socialistas, comunistas, isto ou aquilo, estar apenas conscientes sem dizerem que tal é certo ou errado? Como é uma tarefa de tal forma difícil, a tarefa de ver apenas, dizemos que é impossível. Digo-vos que é somente quando vocês estão conscientes desta totalidade do vosso ser, sem que haja qualquer reacção, que o condicionamento desaparece, total e profundamente – o que é verdadeiramente a libertação do eu.”

Autor: Jiddu Krishnamurti
Livro: “A Vida” (página 162)
Editora: Editorial Presença
Biografia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jiddu_Krishnamurti

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Turista de Uma Vida.


Conta-se que no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo, no Egipto, com o objectivo de visitar um famoso sábio.
O turista ficou surpreso ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros.
As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco.
- "Onde estão seus móveis?" - perguntou o turista.
E o sábio, bem depressa, perguntou também:
- "E onde estão os seus...?"
- "Os meus?!" - surpreendeu-se o turista
- "Mas eu estou aqui só de passagem!"
- "Eu também..." - concluiu o sábio.


Autor Desconhecido

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

O Pesquisador de Religiões


Certa feita, um jovem abastado, tendo se formado na Universidade de Filosofia e mal se contendo para pôr em prática os conhecimentos exaustivamente apreendidos em classe, dispôs-se em viagem para conhecer em meio aos diferentes povos do mundo o verdadeiro significado de religião.
Passou anos colhendo informações, analisando e pesquisando, descobriu maravilhas mas também se decepcionou várias vezes, contudo nunca se dava por satisfeito.
E foi assim dessa forma, meio frustrado com o desfecho de seu trabalho, que resolveu, enfim, retornar para casa.
No caminho de volta, em seu carro particular, ia contemplando a paisagem rural interior quando avistou no meio de um milheiral um velho agricultor que realizava a colheita de sua plantação. Teve, então, a ideia de realizar uma última entrevista, visando levantar a noção do homem simples do campo a respeito da religião.
Aproximou-se daquele homem e lhe indagou qual o seu entendimento sobre religião, e obteve a seguinte resposta:
- Óia, seu moço – principiou o velho lavrador – pra mim, religião é igual quiném a coieita do miio aqui da roça, num sabe...
- Como a colheita do milho? – um tanto atónito com a comparação, o jovem pesquisador pediu para que se explicasse melhor o senhor.
- Pois veje só: nóis que veve aqui na roça, prepara a terra, escói a semente, pranta o miio, aduba e cuida da prantação até a hora da coieita… asdispois que nóis cói o miio, nóis tem que leva ele té lá a cidade pra mó de vendê ele por lá… pra chegá lá nóis pode í por treis caminho: tem o caminho da estrada de chão, tem o caminho do açude no meio do pasto, e tem o caminho da estrada de asfarto… mas daí quando nóis chega lá na cidade e vai vendê o miio pros varejista eles num vão pregunta pra nóis por que caminho que nóis veio... eles vão querê sabê é se o miio é bão!


Autor desconhecido

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Back again!...


Faz hoje um mês que vos deixei uma mensagem de férias. Regressei ao v/ convívio para "recomeçar" mais um ano de "coisas boas" que a vida tem... entre as quais a v/ AMIZADE!...


PS - Uma foto que tirei na China... ao pé do Bombarral.


Um abraço deste "vosso",


António Serra