quarta-feira, 3 de setembro de 2008

O Pesquisador de Religiões


Certa feita, um jovem abastado, tendo se formado na Universidade de Filosofia e mal se contendo para pôr em prática os conhecimentos exaustivamente apreendidos em classe, dispôs-se em viagem para conhecer em meio aos diferentes povos do mundo o verdadeiro significado de religião.
Passou anos colhendo informações, analisando e pesquisando, descobriu maravilhas mas também se decepcionou várias vezes, contudo nunca se dava por satisfeito.
E foi assim dessa forma, meio frustrado com o desfecho de seu trabalho, que resolveu, enfim, retornar para casa.
No caminho de volta, em seu carro particular, ia contemplando a paisagem rural interior quando avistou no meio de um milheiral um velho agricultor que realizava a colheita de sua plantação. Teve, então, a ideia de realizar uma última entrevista, visando levantar a noção do homem simples do campo a respeito da religião.
Aproximou-se daquele homem e lhe indagou qual o seu entendimento sobre religião, e obteve a seguinte resposta:
- Óia, seu moço – principiou o velho lavrador – pra mim, religião é igual quiném a coieita do miio aqui da roça, num sabe...
- Como a colheita do milho? – um tanto atónito com a comparação, o jovem pesquisador pediu para que se explicasse melhor o senhor.
- Pois veje só: nóis que veve aqui na roça, prepara a terra, escói a semente, pranta o miio, aduba e cuida da prantação até a hora da coieita… asdispois que nóis cói o miio, nóis tem que leva ele té lá a cidade pra mó de vendê ele por lá… pra chegá lá nóis pode í por treis caminho: tem o caminho da estrada de chão, tem o caminho do açude no meio do pasto, e tem o caminho da estrada de asfarto… mas daí quando nóis chega lá na cidade e vai vendê o miio pros varejista eles num vão pregunta pra nóis por que caminho que nóis veio... eles vão querê sabê é se o miio é bão!


Autor desconhecido

6 comentários:

Teresa Conceição disse...

Ora nem mais...

Grande verdade...tão simples...

Beijinho grande
Teresa

mundo azul disse...

Maravilhosa história!

Sim! O que importa é o que teremos acrescentado ao longo do caminho, não importa como eram esses caminhos...

Adorei!


Beijos de luz e o meu especial carinho!

Caçadora de Emoções disse...

Muita vezes, na nossa vida, basta usarmos o bom senso e a intuição. Sem complicar demasiado...
Obrigada por ter partilhado esta história connosco.

Beijos e um sorriso :)

Mariz disse...

Salvé!

..." e o mais lhe será acrescentado"!

Vim pela mão da Zélia - Mundo azul aqui representada - uma querida e luminosa amiga!

Deixo-o com a minha saudação que adoptei desde há 1 ano:
ESPAVO! - como em Mu (Lemúria)

E que quer dizer literalmente:
"reconhecendo a LUZ que há em SI"!

Mariz

Anónimo disse...

... As estradas, os caminhos, somos nós que os fazemos a cada momernto. Às vezes enveredamos por atalhos que não seriam a melhor opção. Contudo, era o caminho "necessário" no momento.
Saber escutar o nosso SER interior no silêncio do dia e no espaço vazio, poderá nos proporcionarmos a melhor viagem.

Baguera

Anónimo disse...

Lamento o lapso ortográfico: (.."poderá nos proporcionar..")
Mil desculpas.
Baguera