quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Ai que prazer... reler Fernando Pessoa

"Liberdade"

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

4 comentários:

Nogs disse...

Era um louco o homem, mas um génio também:)

Beijinho


PS: Olha a gralha (Fernando Pessoa):P

TENHODOISOLHINHOS disse...

Tenho este poema (vídeo) dito por joão Villaret. Se não conhecer e quiser ouvir - publicação de 02/08/08.

Nogs disse...

Já está perfeito;)

Beijinho

Caçadora de Emoções disse...

Hoje e sempre...

Beijos,
:)))