segunda-feira, 23 de março de 2009

A Primavera.



"Quando Vier a Primavera"


Quando vier a Primavera,

Se eu já estiver morto,

As flores florirão da mesma maneira

E as árvores não serão menos verdes que na

Primavera passada.

A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme

Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma


Se soubesse que amanhã morria

E a Primavera era depois de amanhã,

Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.

Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?

Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;

E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.

Por isso, se morrer agora, morro contente,

Porque tudo é real e tudo está certo.


Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.

Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.

Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.

O que for, quando for, é que será o que é.


Aberto Caeiro

4 comentários:

Marukatsu disse...

Lovely rabbits!
Have a nice day!

mariam disse...

António,
pois, os ciclos completam-se e repetem-se :)
belíssima escolha, esta. Não vim no dia 21, mas a POESIA também mora aqui, sempre!

deixo um raminho de frésias, um abraço e o meu sorriso :)
mariam

BatRitinha disse...

Amigo Serra, obrigada por nos trazer este poema tão profundo e harmonioso. Celebremos o renascer da vida e da esperança.
Beijinhos, Bat

Mariz disse...

Salvé amigo!
Mal li os primeiros versos...
tilim! Caeeiro de seu nome(em) Pessoa!
Muito boa escolha...
Os coelhos então...apetece levar para casa e metê-los no jardim para correrem livres e soltos! - como tu.

Abraço meu
Mariz