terça-feira, 28 de abril de 2009

"Uma vez acabada a obra, retira-te!" - Lao Tsé



É melhor não encher totalmente um vaso
do que tentar carregá-lo se estiver cheio.
Só se pode encher um vaso até a borda nem uma gota a mais.
Quando afiamos demasiadamente uma faca, seu gume não se conservará.
Quando o ouro e o jade enchem um salão, seus donos não poderão manter a segurança.
Não se pode acumular outro e pedras preciosas, sem ter lugar seguro para guardá-los.
Quando a riqueza e as honrarias conduzem à arrogância, decerto o mal vira logo a seguir.
Quem é rico é estimado mas não conhece a sua limitação, atrai a sua desgraça.
Quando fizermos o trabalho e o nosso nome começar a celebrizar-se a sabedoria
consiste em recolhermo-nos à obscuridade, assim que a tarefa terminar.
Este é o Caminho do céu. ...

do livro "Tao Te Ching".

Interpretações:

O Mestre deve ser como a água, em silêncio adaptar-se às limitações do discípulo, descer ao nível da compreensão de cada um e orientá-lo.
O Mestre jamais deve achar que nada mais tem a aprender, não deve ser como um jarro cheio onde não cabe sequer mais uma gota.
O mestre deve entender que o homem-ego não pode fazer mais que o homem-Eu. Amplia a capacidade da sabedoria pela liberação do EU.
O Mestre não deve exigir que o discípulo torne-se mais aguçado do que lhe permite o seu próprio grau.
O Mestre não satura o discípulo com sua especialidade, pois tem que deixar lugar para que outros ensinamentos possam ser acrescidos. Se o vaso for preenchido até a borda, nem uma gota a mais caberá nele.
O Mestre não deve exibir toda sua sabedoria para não despertar a cobiça e atrair a sua própria desgraça. É errado o Mestre cobrar agradecimentos, elogios e recompensas. Deve contentar-se unicamente com o bom trabalho desenvolvido pelos seus discípulos.
O verdadeiro Mestre deve recusar todo e qualquer mérito faustoso que lhe queiram atribuir. A fama não lhe deve dizer respeito. O esquecimento em nada o perturba.
Ante vicissitudes o Mestre prossegue em frente ou contorna de uma maneira equilibrada todas as dificuldades orientando-se pelo seu bom senso e sabedoria e nunca por estar à espera de fama ou honrarias. Mostrar toda sabedoria é mostrar um tesouro e expor-se a sanha dos ladrões. Quando a fama se acercar do Mestre ele deve humildemente se recolher à obscuridade deixando que a sua obra receba os elogios mas não a sua pessoa.
O Mestre é aquele que se retira e vive na obscuridade. O refúgio na obscuridade não significa, abandono da atividade e sim o desapego a resultados.
O Mestre que se deixa levar pelo brilho ilusório das recompensas, muitas vezes acreditar ter discípulos quando na verdade se vê cercado apenas de bajuladores, enquanto o Mestre humilde atrai os que têm olhos para enxergar e ouvidos para escutar e assim tem discípulos. O discípulo deve ver no Mestre uma mina de onde com esforço pode recolher as preciosidades, mas não vê-lo como uma caia de jóias da qual tente se apossar.
O Mestre dá a jóia mas cabe ao discípulo a lapidá-la.

Retirado de: http://www.joselaerciodoegito.com.br/tao_verso_09.htm

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Crianças portuguesas são das menos apoiadas do mundo rico



UNICEF.

Relatório analisou as políticas para a primeira infância nos 25 países da OCDE. Portugal ficou no 15.º lugar. Suécia é a única que cumpre todos os critérios. Estudo denuncia falhas no combate à pobreza infantil e no acesso universal à saúde.
Portugal é dos países desenvolvidos que menos apoios dá às crianças na primeira infância (dos zero aos cinco anos). Falta apoio na licença parental, na pobreza infantil e no acesso universal aos cuidados essenciais de saúde dos mais novos.
A conclusão é de um estudo da UNICEF que analisou os 25 países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) segundo dez parâmetros considerados essenciais. Desses, Portugal só cumpre quatro, ficando em 15º lugar.


por ANA BELA FERREIRA (DN de 23.01.2009)

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Frei Betto.


Ao viajar pelo Oriente, mantive contactos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz em seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez reflectir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?'
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...' 'Que tanta coisa, perguntei. 'Aulas de inglês, de ballet, de pintura, piscina, e começou a elencar seu programa de garota robotizada.
Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados. Por isso, as empresas consideram agora que, mais importante que o QI, é a IE, a Inteligência Emocional. Não adianta ser um super-executivo se não consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas de meditação!

Carlos Alberto Libânio Christo O.P., conhecido como Frei Betto, (Belo Horizonte, 25 de Agosto de 1944) é um escritor e religioso dominicano brasileiro, filho do jornalista Antônio Carlos Vieira Christo e da escritora e culinarista Stella Libânio.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Tai Chi a Harmonia...



“Estar em harmonia com o Universo é Yin e Yang sucessivamente. Yin e Yang em sucessão é também chamado de Tao. O objectivo do estudante de Tai Chi é se tornar Um com o Tao. A forma é um processo fluído que, em séries, move do negativo para o positivo e do positivo para o negativo. A Vida é um fluxo contínuo, também o Tai Chi é um fluxo contínuo.”

Professor Estevam Ribeiro

quinta-feira, 9 de abril de 2009

O Tempo e a Vida



Que bom ter o relógio adiantado!...
A gente assim, por saber
Que tem sempre tempo a mais,
Não se rala nem se apressa.
O meu sorriso de troça,
Amigos,
Quando vejo o meu relógio
Com três quartos de hora a mais!...
Tic-tac... Tic-tac...
(Lá pensa ele
Que é já o fim dos meus dias)
Tic-tac...
(Como eu rio, cá p´ra dentro,
De esta coisa divertida:
Ele a julgar que é já o resto
E eu a saber que tenho sempre mais
Três quartos de hora de vida).

Sebastião da Gama, "Serra-Mãe"

PS - Votos de Boa Páscoa!...

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Água que corre...



Se escutarmos o rio sem atenção, a água que corre parece ter um ritmo constante e ininterrupto. Entretanto, nenhuma gota de água passa duas vezes sobre a mesma pedra. Não é nunca a mesma gota que forma o leito do rio ou o murmúrio da correnteza. A imutabilidade é apenas uma ilusão dos olhos e dos ouvidos humanos. Uma vez que tenha passado, a água não corre nunca mais no mesmo ponto do rio.
A vida humana não é diferente. Acreditar que ontem é igual a hoje é resultado de nossa ignorância e insensibilidade. Os olhos iluminados vêem claramente a imagem das coisas em eterno movimento e reconhecem que um instante é diferente de qualquer outro.


Escrito durante a participação no Nehan Sesshin (retiro em memória à morte de Shakyamuni Buddha, realizado todos os anos em Fevereiro) no Mosteiro Sede de Eihei-ji, em Fukui-ken.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Olha...



"Olha à direita e à esquerda do tempo, e que o teu coração aprenda a estar tranquilo ."

Federico García Lorca