terça-feira, 24 de novembro de 2009

Quanto vale um burro...


Não sei donde vem esta minha paixão por burros. Mas acho-os uns animais "simpáticos" e "patuscos". Além de que, desde há séculos, que é um "amigo" do homem. Trabalhador incansável por natureza. Infelizmente têm vindo a desaparecer no nosso país. Nos últimos anos tem-se assistido a uma tentativa de "reabilitação" e preservação. Esperemos que o burro nos continue a acompanhar nesta nossa "viajem" de seres humanos..

Deixo-vos com uma pequena história que encontrei na "net". A "modos" que uma pequena homenagem...


Quanto vale um burro? Mulá Nasruddin

Nasruddin queria montar seu burro para dar uma volta e, para sua surpresa, encontrou o estábulo vazio. Procura daqui, procura dali, nem sinal do bicho, absolutamente nada. De repente, percebeu que esquecera a porta da rua aberta.
Muito assustado, começou a gritar, atraindo a atenção dos vizinhos, que logo acorreram para ajudá-lo, pois todos sabiam que Nasruddin e o burro eram inseparáveis.
As pessoas caminhavam pelas ruas e praças do povoado, gritando: “O burro de Nasruddin sumiu, será que alguém o viu?” E o bobo da aldeia falava aos passarinhos: “Batam as asas sem medo, perto das nuvens, acima do arvoredo! E só voltem para cá quando virem o burro do Mulá...”
E uma longa procissão se formou, tendo à frente Nasruddin, que não parava de se lamentar e chorar.
Horas depois, completamente exaustos, sentaram para descansar. Muito irritado, o Mulá culpava o burro por seus dissabores, esquecido das alegrias que o animal lhe tinha proporcionado em tantos anos de fidelidade e serviço.
“Maldito burro!” dizia, inconformado. “Se eu o encontrar, juro que vou vendê-lo por um mísero dinar!”
Neste exato momento, ouviram um barulho de cascos muito familiar, e o burro de Nasruddin surgiu, montado por Shoja, o pequeno filho do padeiro.
“Como você o encontrou?”, perguntaram ao menino.
“Pensei que, se eu fosse um burro, estaria agora no campo pastando com as cabras e as ovelhas. E lá estava ele...”
Enquanto isso, Nasruddin cantava e dançava de alegria, abraçando e beijando seu amado burro e o pequeno Shoja, em agradecimento.
De repente, várias pessoas se adiantaram, prontas para comprar o animal pelo preço de um dinar, em cobrança ao juramento. Nasruddin empalideceu e, por um momento, permaneceu calado, refletindo em como sair da situação, salvando seu burro e mantendo a palavra.
“Vocês podem me procurar no mercado dentro de uma semana, ao nascer do dia’’, disse finalmente. “Venderei o burro por um dinar àquele que me provar ser o melhor dono”.
Então, durante uma semana, os animais da vila foram tratados com fartura e cortesia: os cachorros ficaram livres das pulgas, os camelos puderam descansar, as galinhas escaparam das panelas, os gatos passearam em segurança pelos muros e telhados, e os burros foram tratados como pessoas da família...
Enquanto isso, Nasruddin traçava um plano para cumprir a promessa sem perder a montaria.
No dia e hora combinados, o mercado foi tomado por uma multidão de homens e mulheres que afirmavam ser os melhores amigos dos animais, disputando a chance de comprar o burro pela ínfima quantia de um dinar.
Nisso, ouviram uma estranha mistura de zurros e miados, que vinha do fundo do mercado e, atônitos, viram uma longa corda que, em uma das extremidades, amarrava o pescoço de um gato e, na outra, segurava a cauda do burrro de Nasruddin. No meio deles, sorrindo de contentamento, o Mulá dizia em alto e bom som: “Meu burro está à venda por um dinar, mas ele e meu gato são tão amigos que seria uma maldade separá-los. Assim, quem comprar o burro terá de comprar também o gato.”
“E qual é o valor do gato?” perguntaram os que estavam mais próximos, já pegando mais uma ou duas moedas na bolsa.
“A linhagem deste gato é muito nobre”, respondeu calmamente o Mulá. “Seu bisavô viveu no palácio do sultão. Ele custa cem dinares.”
E as pessoas, rindo muito, voltaram para suas casas. Ninguém acreditava, realmente, que Nasruddin pudesse se separar de seu burro.

1 comentário:

RETIRO do ÉDEN disse...

Bonita história.
Aqui em casa também amamos os "burros". Achamos um belo de um animal.
Há sempre "Alguém(s)" à espera de lucrar que algo que seja do outro(s). Não se importando se lhes causa alguma dor pela perda. É preciso é ganharem ao parceiro...alguns bons euros. Ou aproveitando-se indevidamente de fragilidades, ou mesmo trapaçeando e roubando à descarada.É como numa fila de carros...os chicos espertos gostam de ultrapassar os "burros" que aguardam a sua vez civilizadamente.

Forte, forte, abraço
Mer