terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Ao ano que finda!...

O riso contribui para uma vida mais sã de todo e qualquer ser humano. Por isso aqui vos deixo uma pequena rábula (em forma de "revista à portuguesa") como forma de nos despedirmos de 2009 (sorrindo) e também como homenagem ao grande Raúl Solnado que este ano "nos deixou"...

Que todos nós possamos contribuir para que 2010 seja melhor... para todos!...

"Façam o favor de serem felizes!..."

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Natal em quadra... ou Quadra de Natal...

Chove. É dia de Natal

Chove. É dia de Natal
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho frio e Natal não.

Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.

Fernando Pessoa


Tudo de bom para vós e para os que vos são mais queridos.

Do "vosso",


António Serra

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Moderação.


Mesmo que tenhas dez mil plantações, só podes comer uma tigela de arroz por dia; ainda que a tua casa tenha mil quartos, nem de dois metros quadrados precisas para passar a noite.

Provérbio Chinês

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O Verdadeiro Eu


Um homem muito perturbado foi até um mestre Zen, apresentou-se e disse:
"Por favor, Mestre, eu me sinto desesperado! Não sei quem eu sou. Sempre li e ouvi falar sobre o Eu Superior, nossa verdadeira Essência Transcendental, e por muitos anos tentei atingir esta realidade profunda, sem nunca ter sucesso! Por favor mostre-me meu Eu Verdadeiro!"
Mas o professor apenas ficou olhando para longe, em silêncio, sem dar nenhuma resposta. O homem começou a implorar e pedir, sem que o mestre lhe desse nenhuma atenção. Finalmente, banhado em lágrimas de frustração, o homem virou-se e começou a se afastar. Neste momento o mestre chamou-o pelo nome, em voz alta.
"Sim?" replicou o homem, enquanto se virava para fitar o sábio.
"Eis o seu verdadeiro Eu." disse o mestre.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Os pés na água.



Procurei ser como a água.
Segui o rio, levado pela corrente.
Mas sinto-me como um seixo,
Arrastado até se deter e afundar.

Não era este lodo que eu procurava,
Mas a água empurra os limos, ramos
E folhas que a bloqueiam,
Até não poder avançar mais.

Sou por isso hoje um buraco negro.
Os viajantes passam e não notam,
Porque a minha face é mutável.
As folhas caem, mas nem as suas cores,
Formas e cadência me alegram.

Sou o culpado de não seguir
O meu mestre interior,
Esse conjunto de ideias
Que me forma, mas que agora me consome.

Ajudei quem não conhecia,
Sem saber quais as razões
Do seu infortúnio e castigo.

Mas a sua dor encheu-me
O coração e como tal agi.
Entreguei-o ás mãos que curam, mas
Tenho agora o mundo dentro de mim