sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O Cacilheiro do Tejo.

(Foto tirada ontem ao fim da tarde...)


O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,


Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia


Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.



O Tejo tem grandes navios


E navega nele ainda,


Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,


A memória das naus.


O Tejo desce de Espanha


E o Tejo entra no mar em Portugal.


Toda a gente sabe isso.


Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia


E para onde ele vai


E donde ele vem.


E por isso porque pertence a menos gente,


É mais livre e maior o rio da minha aldeia.



Pelo Tejo vai-se para o Mundo.


Para além do Tejo há a América


E a fortuna daqueles que a encontram.


Ninguém nunca pensou no que há para além


Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.


Quem está ao pé dele está só ao pé dele.


Alberto Caeiro

5 comentários:

RETIRO do ÉDEN disse...

O rio da minha aldeia é o Arnóia...
Mas está muito bonito este poema, esta foto e o nosso Tejo e todos os rios das nossas aldeias, vilas e cidades...porque todos eles grandes ou pequenos, todos fazem falta e todos estão no controlo de Deus nosso Pai.
Forte abraço
Mer

MACAU BANGKOK O MAR DO POETA disse...

Lindo poema.
Quem de Portugal através do Rito Tejo, tal como eu, e já fez imensos anos, esse dia e esse rio lhe trás imensas recordações.
Jamais voltei a navehar em suas águas.
E como diz o poeta, esse rio embora seja belo e continue a ser navegavel, nasce em Espanha e vai desaguar em portugal, mas não é tão belo como o rio da minha cidade, o Degebe.
Um abraço amigo

Susi disse...

Ola...

Este será o meuprimeiro comentário entre mts outros...entrei aqui hoje e aqui ficarei por mais algum tempo...e destaco Este post, pq eu ttb eu um dia o destaquei na minah vida enquanto acontecimento...o qual aqui vos deixo na partilha de mim...que tb é este Blog imenso...

"Serenidade"

Hoje, ao atravessar o Tejo, olhei o Rio, mais uma vez…

Mas hoje estava diferente. Pelos menos aos meus olhos.

Estava sereno como um lago, quase como uma pista glaciar.

Mas de frio não tinha nada…O sol reflectido quente no seu poente, brilhava naquelas aguas, encadeando-me…

Seus raios virados para Lisboa, no seu perfil desalinhado, transformavam a minha cidade encantadora, enternecedora…

Transformavam esse desalinhamento perfeito e de sentimentos variados na sua construção antagónica, onde o tempo vai passando e vai alimentando, compondo e fixando a sua eternidade, a sua beldade…

Hoje, senti-me como o Tejo, como o sol nele espelhado, e vivi como a Cidade que permanece…que não esquece, que se enternece…

Susana Bernardo

Susi disse...

"Serenidade"

Hoje, ao atravessar o Tejo, olhei o Rio, mais uma vez…

Mas hoje estava diferente. Pelos menos aos meus olhos.

Estava sereno como um lago, quase como uma pista glaciar.

Mas de frio não tinha nada…O sol reflectido quente no seu poente, brilhava naquelas aguas, encadeando-me…

Seus raios virados para Lisboa, no seu perfil desalinhado, transformavam a minha cidade encantadora, enternecedora…

Transformavam esse desalinhamento perfeito e de sentimentos variados na sua construção antagónica, onde o tempo vai passando e vai alimentando, compondo e fixando a sua eternidade, a sua beldade…

Hoje, senti-me como o Tejo, como o sol nele espelhado, e vivi como a Cidade que permanece…que não esquece, que se enternece…

Susana Bernardo

O Espírito do Tai Chi disse...

Olá cara Susana,

Fico contente em ter entrado neste meu pequeno "retiro".
As "portas" estão abertas para a receber quando me quiser visitar.

As minhas saudações amigas,

António Serra