sexta-feira, 25 de outubro de 2013

A essência das posturas e do movimento na prática do Tai Chi.


As formas existem em todas as artes marciais orientais e nelas encontramos os movimentos e as posturas corporais característicos da arte em questão. As posturas podem ser concebidas como locais num mapa pelos quais passamos, e os movimentos podem ser imaginados como os caminhos que ligam essas posturas. Assim, a forma é um tipo de mapa em movimento.
A essência das posturas do corpo
A raiz está no pé, o ataque é da perna, a direção é da cintura e a figura está nos dedos das mãos.
“Como qualquer outro assunto que é muito especializado, o Tai Chi desenvolve em muitos dos seus praticantes uma atenção rigorosa aos pormenores. Para alguém que está de fora, a posição exata do pé ou da mão, talvez pareça trivial. Para alguém que está bastante envolvido com a arte, uma ligeira alteração do peso ou do acto de virar o pé dez graus, faz muita diferença: um praticante consciente percebe essas pequenas mudanças como uma sensação física real. Esses pormenores, portanto, desempenham um papel importante na realização regular das formas (…)”
Paul Crompton, The Elements of Tai Chi, 1990
1. Cabeça
A sua posição é rigorosa: o praticante deve treinar a cabeça, evitando que os músculos do pescoço fiquem tensos. A cabeça não deve inclinar-se para os lados, nem oscilar. Muda-se a direção da cabeça conforme a direção do corpo, movimento que deve ser acompanhado pelo olhar. Pode direcioná-lo para a mão que se encontra numa posição superior, ou através desta, para o vazio, mantendo sempre a cabeça direita. Não olhe para o chão porque isso implicaria entortar o pescoço e fazer erguer os ombros. A face deve estar descontraída, o queixo para dentro e a boca fechada. A ponta da língua deve encostar, descontraidamente, o palato.
 2. Tronco
Ao treinar Tai Chi deve manter o tronco direito e cómodo, sem curvar-se para a frente ou para trás, nem inclinar‑se à esquerda ou à direita, o que poderia deixar as costelas e os músculos do ventre tensos.
 A. Peito e costas: “Afundar o peito e endireitar as costas” significa que não se deve encolher nem erguer demasiado o peito. À medida que os movimentos dos braços são efetuados, os músculos das costas estendem-se; nessa altura, os músculos do peito relaxam-se, o que permite submergir a respiração para o abdómen, tornando-a solta e livre. A coluna deve estar direita deixando a cabeça, o tronco e os quatro membros atuar livremente. Aja como se a sua coluna vertebral fosse um fio com contas.
B. Cintura: Tem um papel muito importante na manutenção das posturas correctas já que funciona como o eixo do nosso corpo, durante todas as posturas e movimentos. Conscientemente, pode baixar a cintura e afundar a energia. Não deve endireitar com força para a frente nem a cintura nem o ventre, porque isso prejudicaria a postura do corpo. Relaxar a cintura ajuda as pernas, tornando-as mais firmes, permitindo a execução dos movimentos levemente e com perfeição. Em coordenação com o relaxamento da cintura, endireite a coluna conforme a sua posição fisiológica normal. Manter o equilíbrio através do relaxamento da cintura garante movimentos leves, ágeis e estáveis.
C. Nádegas: Para manter a boa forma corporal, é preciso evitar a todo o custo levantar as nádegas. Basta deixá-las estar como estão naturalmente, sem as mover para os lados. Ao relaxar a cintura e erguer as costas, encolha ligeiramente os músculos das nádegas a fim de manter o tronco direito.
 3. Pernas
Durante todo o exercício, os movimentos de avançar, retirar e enviar a força, bem como a manutenção do equilíbrio do corpo, dependem sobretudo das pernas. Deve prestar atenção à posição na qual pousa os pés e também à posição das pernas quando altera o centro de gravidade do corpo. De facto, a postura das pernas tem uma função muito importante na imagem do corpo inteiro e na transformação dos movimentos, sendo preciso treinar os vários passos.
Para treinar as pernas, comece por relaxar a cintura, a anca e os joelhos. Assim, ao avançar e retirar, os pés podem levantar e pousar levemente. Ao avançar, pouse em primeiro lugar o calcanhar, podendo depois pisar firmemente o chão e deslocar o peso do corpo para essa perna. Quando dominar a transformação do avançar e do retirar, as suas pernas podem começar a aliviar-se alternadamente do peso do corpo, diminuindo então a tensão e o cansaço dos músculos.
Tenha em atenção que os joelhos são uma articulação particularmente importante, a qual deve cuidar sempre. Quando dobrar as pernas, mantenha o joelho em cima do tornozelo, não devendo aquele ultrapassar o meio do pé (exceto nas posições baixas).
 4. Braços e Mãos
“Afrouxar os ombros e pendurar os cotovelos” é uma expressão técnica do Tai Chi que salienta a relação coerente entre estas articulações. “Afrouxar os ombros” significa mantê-los relaxados e afundados; se os subir, a energia vai subir com eles, e todo o corpo vai ficar sem força. “Pendurar os cotovelos” significa mantê-los para baixo, de forma a não obrigar os ombros a subir; os cotovelos encontram-se geralmente mais abaixo do que o pulso.
As posições das mãos e dos ombros são geralmente feitas ao mesmo tempo. Quando recolher a palma da mão, dobre ligeiramente o pulso; para abrir a mão, levante-a e mantenha os dedos direitos, mas ligeiramente curvados; ao cerrar o punho, evite fazer muita força. Caso empurre demasiado a mão, o braço ficará esticado, numa posição incorreta; por outro lado, se afrouxar muito os ombros, e não estender a mão para a frente, o braço ficará dobrado, sem força. Por isso, tente manter o braço com um certo nível de curvatura, alongado mas não esticado. Ao empurrar e recolher as mãos, nunca se perde a força de repente.
Retirado de:
http://caminho-natural.org/tai-chi/a-essencia-das-posturas-e-do-movimento-na-pratica-do-tai-chi/

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